| Foto: Nelson Almeida/AFP

A iminente prisão do ex-presidente Lula (PT), após o Supremo Tribunal Federal (STF) ter negado a ele o habeas corpus no julgamento desta quarta-feira (4), não vai impedi-lo de ser candidato ao Planalto. Mas, na prática, a detenção quase inviabiliza sua campanha. E, como consequência, aumentará a pressão interna no PT para que o partido lance outro nome à Presidência da República.

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Mesmo encarcerado, Lula poderá registrar sua candidatura no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) – embora isso não garanta que o registro será deferido. Isso porque a Lei da Ficha Limpa estabelece que condenados em segunda instância (caso do petista) não podem ser candidatos.

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A candidatura de Lula, mesmo preso, é possível porque a lei eleitoral não impede que um preso registre na Justiça Eleitoral a intenção de concorrer a um cargo público. No caso da eleição presidencial, o prazo final para o registro de candidaturas no TSE é 15 de agosto. O PT já adiantou que Lula fará isso justamente no último dia. E somente a partir do registro é que a Justiça Eleitoral poderá julgar se aceita ou não a candidatura de Lula.

Teoricamente, o TSE tende impedir que Lula concorra, usando como argumento a Lei da Ficha Limpa. Mas, enquanto isso não ocorrer, o petista poderá ser candidato. Em função dos trâmites legais, o julgamento de Lula na Justiça Eleitoral pode se arrastar até a segunda quinzena de setembro.

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E, ainda que o TSE impeça o petista de se candidatar, ele poderá recorrer a cortes superiores – o Superior Tribunal de Justiça (STJ) e o STF – para conseguir um efeito suspensivo do eventual indeferimento de sua candidatura.Se obtiver isso, continua na corrida eleitoral, ainda que esteja cumprindo pena de prisão.

Como o primeiro turno está marcado para 7 de outubro e o segundo para 28 de outubro, existe uma certa possibilidade de que Lula chegue até a eleição como candidato – e que eventualmente se eleja sub judice e dentro da cadeia. Embora estranha, essa situação não seria inédita no país. Já houve casos de prefeitos que se elegeram mesmo encarcerados.

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Na prática, prisão de Lula quase inviabiliza que ele faça campanha eleitoral

Apesar de legalmente existirem brechas que permitem a Lula se candidatar mesmo preso, na prática a detenção dele quase inviabiliza sua campanha eleitoral. Ele não poderá gravar programas eleitorais do rádio e televisão, não conseguirá viajar pelo país para pedir votos e tampouco poderá participar de eventos, entrevistas e debates. Sua campanha terá de ser realizada por aliados. Mas a estratégia de comunicação eleitoral, sem a presença constante do candidato, ficará seriamente comprometida.

Essa possibilidade aumentaria a pressão para que o PT troque de candidato e lance outro nome para a Presidência. Mas o PT teria de trocar de candidato até 17 de setembro – 20 dias antes da eleição, como determina a legislação.

Mas Lula também pode ter um ganho eleitoral justamente por estar preso. Há analistas que apostam que a detenção do ex-presidente pode aumentar a parcela da população que acha que ele está sendo vítima de uma perseguição política.

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Principal aposta de Lula agora é conseguir pautar o julgamento das prisões em 2.ª instância

A principal aposta do PT e de Lula, diante das dificuldades que ele terá para fazer campanha dentro da cadeia, será pressionar o STF a pautar rapidamente o julgamento mais amplo sobre a possibilidade de prender condenados em segunda instância.

Vários ministros do Supremo, durante o julgamento do habeas corpus do petista, deixaram claro que pretendem que esse assunto seja apreciado o quanto antes. Se a corte mudar o entendimento, Lula poderia ser solto e fazer campanha nas ruas – ainda que isso não assegure que sua candidatura seria deferida.