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Para entender

Alexandre de Moraes pede investigação contra André Mendonça no STF

André Mendonça e Alexandre de Moraes, no plenário do STF, nesta quinta (3) (Foto: Luiz Silveira/STF)

O ministro Alexandre de Moraes enviou nesta quinta-feira (3) um pedido ao presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, para investigar o colega André Mendonça. Baseado em relatórios da Polícia Federal, Moraes aponta suposto abuso de autoridade e parcialidade em processos conduzidos por Mendonça. O movimento intensifica uma crise institucional interna entre membros da Corte.

Quais são as principais acusações feitas por Alexandre de Moraes contra André Mendonça?

As acusações baseiam-se em relatórios de inteligência da Polícia Federal que sugerem que André Mendonça teria direcionado investigações sobre fraudes no Banco Master e no INSS para atingir alvos específicos. Moraes imputou ao colega atos de improbidade administrativa, abuso de autoridade e crime de responsabilidade. O documento afirma que Mendonça teria ultrapassado seu papel de supervisor judicial ao atuar como se fosse o próprio presidente dos inquéritos, acessando dados brutos e interferindo diretamente no trabalho técnico dos delegados de polícia, o que comprometeria a imparcialidade.

Como teria ocorrido o suposto direcionamento das investigações da Polícia Federal?

Segundo a direção da PF, o controle indevido acontecia pela exigência de dados brutos de celulares apreendidos antes de qualquer análise conclusiva dos investigadores. Com esse acesso direto, o ministro teria o poder de selecionar e manipular provas contra desafetos políticos ou figuras estratégicas, como o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, e o filho do presidente Lula, Fábio Luís. Além disso, os relatórios citam interferência em negociações de delação premiada e o pedido para que a PF produzisse relatórios específicos listando mensagens que mencionassem o próprio Moraes.

Qual foi o motivo que desencadeou essa reação imediata de Alexandre de Moraes?

O pedido de investigação é uma reação direta à tentativa de André Mendonça de investigar o próprio Moraes por seu suposto envolvimento com o banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master. Recentemente, Mendonça levou ao plenário do STF indícios de que Moraes teria editado um contrato milionário com o banco vinculado ao escritório de advocacia de sua família. Diante desse cerco, Moraes utilizou o inquérito das fake news para enquadrar Mendonça, alegando que as ações do colega fazem parte de uma estratégia para desgastar a imagem do tribunal e favorecer grupos políticos de oposição.

Qual será o papel do ministro Edson Fachin diante deste racha interno no tribunal?

Como presidente do STF, Edson Fachin está no centro do conflito e deverá arbitrar as decisões que competem ao plenário. Fachin já solicitou que Mendonça esclareça a forma como produziu o relatório contra Moraes, após o Procurador-Geral da República, Paulo Gonet, sugerir a anulação das provas por falta de autorização prévia. Agora, Fachin também terá que decidir o andamento do pedido de Moraes contra Mendonça. O julgamento dessas questões por todos os ministros definirá se os inquéritos contra os magistrados serão abertos ou se as provas colhidas até agora serão invalidadas.

Conteúdo produzido a partir de informações apuradas pela equipe de repórteres da Gazeta do Povo. Para acessar a informação na íntegra e se aprofundar sobre o tema leia a reportagem abaixo.

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