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O presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, gravou um vídeo em que atribui ao próprio governo o mérito pelas investigações sobre o que chamou de “maior roubo da história” do Brasil. De acordo com Lula, o banqueiro Daniel Vorcaro tem relações com “muita gente poderosa”.
“Foi no meu governo que ele foi preso e o seu banco, fechado”, declarou o presidente. Ele ainda afirmou que a “nossa democracia” não pode ficar refém do que chamou de “vazamentos seletivos”, referindo-se às últimas notícias sobre o escândalo. Lula citou suspeitas sobre “políticos e agentes públicos envolvidos”.
Conforme antecipou a Gazeta do Povo, o presidente se manteve descolado dos últimos fatos e do ministro do Supremo Tribunal Federal, Alexandre de Moraes. Já era uma certeza no início da semana que ele não sairia em socorro do magistrado, mantendo uma postura descolada da crise.
Entre todos os presidenciáveis, Lula foi o único que não se pronunciou imediatamente sobre o assunto. O petista ignorou que no mês passado houve uma reunião entre ele, o presidente do Senado Federal, Davi Alcolumbre, e Cristiano Zanin na casa de Alexandre de Moraes, que recentemente apareceu ainda mais implicado no escândalo.
O encontro de Lula com Moraes, Alcolumbre e Zanin selou uma reconciliação após meses de afastamento entre o presidente da República e o presidente do Senado. Críticos apontaram a incompatibilidade de ministros da Suprema Corte promoverem encontros de articulação política entre representantes de outros Poderes da República.
Em seu discurso, Lula disse ainda que, pela gravidade do momento, o presidente do STF, Edson Fachin, e a Procuradoria-Geral da República devem liderar um processo que garanta integridade e confiança nas instituições.
“É chegada a hora de as pessoas que atuam na vida pública honrarem o dever de ofício e colocarem o compromisso público acima do interesse individual.”
“Verdadeiro antissistema”
A crise de imagem da Corte, que eclodiu com a quebra de sigilo de mensagens comprometedoras de Daniel Vorcaro para Moraes, foi respondida por lideranças do PT com palavras de ordem contra “os poderosos”. O presidente do PT, Edinho Silva, usou as redes sociais para defender que “ninguém está acima da lei” e que os brasileiros não aguentam mais esse “sistema de corrupção e privilégios”.
“É preciso acabar com a farra das emendas parlamentares, adotar um código de ética para todo o Judiciário e o Ministério Público, com o fim dos supersalários e da promiscuidade entre interesses públicos e privados. É preciso também a adoção imediata de total transparência e controle dos gastos em todos os níveis”, declarou Edinho no vídeo.




