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Fim da escala 6x1

Boulos engrossa o tom e diz que governo insistirá no fim da 6×1 antes das eleições

Lula e Boulos
Ministro contraria colegas apesar de crise entre o presidente do Congresso, Davi Alcolumbre, e Lula. (Foto: Valter Campanato/Agência Brasil)

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O ministro Guilherme Boulos, da Secretaria-Geral da Presidência, afirmou que o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) continuará pressionando pela votação da proposta que extingue a escala de trabalho 6x1 antes das eleições. A declaração contraria a avaliação de integrantes do próprio Planalto, que já admitem dificuldades para que a matéria avance no Congresso dentro desse prazo.

A manifestação ocorreu após ministros como José Guimarães, das Relações Institucionais, e Luiz Marinho, do Trabalho e Emprego, reconhecerem que a expectativa do governo é de que o projeto seja analisado apenas depois do pleito. Isso pode afetar diretamente a campanha à reeleição de Lula, que pretendia utilizar a aprovação do fim da jornada 6x1 como uma das principais bandeiras eleitorais.

“O governo vai insistir na votação do fim da escala 6x1 antes da eleição como pauta prioritária”, informou em entrevista à Folha de S. Paulo na noite da última quinta-feira (30).

A intenção inicial do governo era aprovar o texto na Câmara dos Deputados e no Senado antes das eleições, mas acabou comprometida principalmente pela crise entre o governo e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP). O senador condicionou o andamento da proposta a uma reunião com Lula para amenizar as divergências.

Alcolumbre e Lula estão brigados desde que o presidente indicou o ministro Jorge Messias, da Advocacia-Geral da União (AGU), ao Supremo Tribunal Federal (STF) em detrimento do senador Rodrigo Pacheco (PSD-MG), preferido do presidente do Congresso para a vaga. Isso o levou a uma retaliação e pautar uma série de projetos que atingem diretamente os gastos do governo.

A PEC do fim da escala 6x1 está parada no Senado desde maio e ainda aguarda o início da tramitação na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ). Até o momento, o presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União-AP), não definiu um relator nem indicou quando a proposta será encaminhada para análise da comissão.

Na semana passada, durante um evento sindical, Luiz Marinho, afirmou acreditar que a proposta dificilmente será apreciada em 2026 e atribuiu o atraso à “má vontade de Alcolumbre”.

Entre os fatores que mantêm a PEC sem avanço no Senado estão:

  • Necessidade de tramitação pela Comissão de Constituição e Justiça antes da votação em Plenário;
  • Ausência de relator para emitir parecer sobre a proposta;
  • Pressão de representantes do setor empresarial e de senadores da oposição para que o tema seja discutido somente após as eleições;
  • Impasse político entre o governo federal e a presidência do Senado;
  • Interrupção das atividades legislativas durante o recesso parlamentar.

Aliados do governo tentam retomar as negociações com a volta dos trabalhos legislativos a partir da próxima segunda-feira (3), quando estão previstas semanas de esforço concentrado no Congresso. Mesmo assim, parlamentares governistas reconhecem que o cenário ainda é incerto e que existe a possibilidade de a votação da PEC ser novamente adiada para o fim do ano.

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