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Nenhuma companhia aérea que opera o trecho Canadá-Brasil está vendendo passagens antes de agosto.
Nenhuma companhia aérea que opera o trecho Canadá-Brasil está vendendo passagens antes de agosto.| Foto: Thomas SAMSON / AFP

Desde abril, não decola nenhum voo do Canadá com destino ao Brasil. E nenhuma companhia aérea que opera o trecho está vendendo passagens para o Brasil para antes de agosto. Assim, muitos brasileiros que, por diferentes motivos, estão tentando retornar do Canadá não estão conseguindo. Um grupo de cerca de 200 pessoas nesta situação reuniu-se para tentar negociar conjuntamente com as companhias aéreas, consulado e com o governo brasileiro, alguma solução para o retorno.

Maria Fernanda Fernandes, de 21 anos, foi para Toronto em janeiro, passar seis meses no país da América do Norte. Tinha passagem de volta marcada para o dia 27 de junho, mas o voo já foi cancelado. “Comprei essa passagem por um aplicativo chamado Hopper. Eram dois voos, um da West Jet de Toronto para Fort Lauderdale e outro de Fort Lauderdale para Recife da Azul. Cerca de um mês e meio atrás eu vi que vários voos estavam ameaçando de serem cancelados, as fronteiras se fechando cada vez mais, então eu decidi solicitar ao aplicativo que eles adiantassem minha passagem. Não obtive nenhum tipo de retorno deles. Passou-se um mês e meio e eu recebi a notícia de que meus voos haviam sido cancelados”, conta. “A Azul tratou de me colocar em outro voo, indo para São Paulo e de São Paulo para Recife. Mas a West Jet simplesmente parou de operar todos os voos, sem notícia de voltar. Solicitei ao aplicativo um reembolso, mas eles me negaram, dizendo que as companhias aéreas apenas podiam me oferecer créditos, mas não há voos”, prossegue.

Stephanye Anciloto Morgado foi ao Canadá em março, fazer uma visita rápida e ajudar a irmã a cuidar do filho recém-nascido nos primeiros dias do bebê. Ela teve o voo de retorno, marcado para 11 de abril, cancelado. Mesmo com o voo cancelado pela Air Canada, precisou pagar uma taxa equivalente a R$ 750,00 para remarcar a passagem para 9 de junho, que também foi cancelado. Ela conseguiu um terceiro voo, para 30 de junho, também desmarcado. “O ponto é que preciso retornar com urgência para o Brasil, estou sem remédio para ansiedade e labirintite aqui, acabo tendo crise de ansiedade todos os dias, e no Brasil estou correndo o risco de perder meu emprego, fora que minha mãe está doente e eu realmente preciso cuidar dela”, relata. “A embaixada brasileira aqui no Canadá nos dá um suporte mínimo, falam para nós voltarmos pela Europa, sendo que a passagem via Europa está com um preço absurdo (não tenho esse dinheiro) e caso contrário, devemos esperar”, acrescenta.

Maria Elizabete Lins, 67 anos, está em situação parecida. Foi ao Canadá acompanhar o nascimento da neta e seu retorno, em 30 de março, foi cancelado. Ela está até hoje em Toronto, tem problemas cardíacos e não fala outro idioma.

Cláudio Lorenzo, 27, está no Canadá para um contrato de trabalho de um ano, que se encerra em junho e já teve três voos de retorno cancelado. “Ainda não estou em situação tão complicada como a de outros brasileiros, mas ficarei em breve. Meu contrato acaba agora em junho, também tenho que entregar a casa em junho, e não terei como me manter. As soluções indicadas pela embaixada são para tentar um retorno via Estados Unidos, mas eles não estão emitindo visto, ou pela Europa, mas a passagem está saindo em torno de US$ 6 mil por pessoa, o que é inviável”.

Natali Rodrigues mora em Montreal, desde 2018, quando o marido recebeu uma proposta de emprego fora do país. No entanto, seu marido foi um dos trabalhadores que perderam o emprego durante a crise econômica gerada pela pandemia. Para agravar a situação, o visto de trabalho do casal, que tem uma filha de três anos, venceu logo depois e não foi renovado, por eles não terem uma proposta de emprego no país. “Conseguimos uma extensão de permanência com um visto de turista, para dar tempo de entregarmos o apartamento, vender nossas coisas, organizar nosso retorno. Quando fomos atrás de comprar as passagens de volta já não tinha mais, todos os voos cancelados”, conta. “Procuramos o Consulado brasileiro em Montreal, que nos informou que não poderia fazer nada, pois o Canadá está com a doença controlada e tem um sistema de saúde bom”, diz. “Mas, sem o visto de trabalho, não podemos trabalhar, não podemos ter renda e não temos mais acesso à saúde gratuita. Não conseguirei receita para comprar meu remédio para a asma, que está acabando. Não temos o que fazer no próximo mês”, conclui.

Procurado, o Itamaraty afirmou que, por meio da rede de consulados brasileiros no Canadá (Montreal, Toronto e Vancouver) e da Embaixada em Ottawa, tem prestado toda assistência material e legalmente possível aos brasileiros retidos no país devido às restrições decorrentes da pandemia de COVID-19 e acompanha o caso com atenção. "O Ministério das Relações Exteriores tem estudado, com sentido de urgência, soluções que possibilitem o pronto retorno desses cidadãos ao Brasil e mantém gestões junto ao governo local para viabilizá-lo, no âmbito das medidas de emergência que foram tomadas pelas autoridades locais, como o isolamento social e o fechamento de portos e aeroportos", diz a nota.

O Itamaraty orienta que, em caso de necessidade de assistência, sugere-se contato com a Embaixada ou Consulado do Brasil mais próximos, com vistas a receber atualizações sobre eventuais oportunidades de repatriação. Lista para contato de emergência pode ser encontrada no endereço eletrônico do plantão consular .

Atualização

Essa matéria foi atualizada às 9h40 de quarta-feira, 27 de maio, para a inclusão da resposta do Itamaraty.

Atualizado em 27/05/2020 às 09:44
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