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Uma nova rodada da pesquisa AtlasIntel, divulgada nesta sexta-feira (20), revela que a desconfiança dos brasileiros com a Corte chegou a 60% em meio às investigações do Banco Master, o patamar mais alto registrado na série histórica.
O nível de confiança despencou para 34%. Outros 6% não souberam responder. Anteriormente, o ponto mais alto de desconfiança havia sido de 51,3% em agosto de 2025. O levantamento foi realizado em parceria com o Estadão.
O resultado marca uma inversão significativa em relação ao equilíbrio observado em meados de 2025, quando a confiança e a desconfiança oscilavam próximas aos 50%.
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O ministro Dias Toffoli, ex-relator do caso Master, está no centro do desgaste. A pesquisa aponta que 49,3% da população defende o impeachment imediato do magistrado por suspeitas de ligação com o caso do Banco Master.
Outros 33,7% acreditam que o afastamento deveria ocorrer apenas se o envolvimento for provado, totalizando mais de 80% de brasileiros favoráveis a algum tipo de sanção caso as suspeitas se confirmem. Apenas 12,8% se opõem ao impeachment.
O sentimento de desconfiança é alimentado pela percepção de falta de transparência no processo: 80% dos entrevistados concordam que há um excesso de sigilo no caso Master, o que prejudica a confiança da sociedade.
Além disso, 60% discordam totalmente da afirmação de que o STF trata todos os investigados da mesma forma, independentemente de poder econômico ou político.
Mendonça tem melhor avaliação entre ministros do STF
O único ministro que apresenta um saldo positivo na pesquisa é André Mendonça, com 43% de avaliações positivas frente a 36% de negativas.
Toffoli possui a maior rejeição da corte, com 81% de imagem negativa e apenas 9% de positiva. Ele é seguido por Gilmar Mendes (67% de rejeição), Alexandre de Moraes (59%) e Flávio Dino (58%).
- 1º - André Mendonça: 43% positiva, 20% não sei, 36% negativa (Saldo: +7 p.p.);
- 2º - Flávio Dino: 40% positiva, 2% não sei, 58% negativa (Saldo: -18 p.p.);
- 3º - Luiz Fux: 39% positiva, 15% não sei, 46% negativa (Saldo: -7 p.p.);
- 4º - Cármen Lúcia: 39% positiva, 7% não sei, 54% negativa (Saldo: -15 p.p.);
- 5º - Alexandre de Moraes: 37% positiva, 4% não sei, 59% negativa (Saldo: -22 p.p.);
- 6º - Cristiano Zanin: 32% positiva, 13% não sei, 55% negativa (Saldo: -23 p.p.);
- 7º - Edson Fachin: 27% positiva, 20% não sei, 53% negativa (Saldo: -26 p.p.);
- 8º - Nunes Marques: 22% positiva, 35% não sei, 43% negativa (Saldo: -21 p.p.);
- 9º - Gilmar Mendes: 20% positiva, 14% não sei, 67% negativa (Saldo: -47 p.p.);
- 10º - Dias Toffoli: 9% positiva, 9% não sei, 81% negativa (Saldo: -72 p.p.).
Desempenho institucional
A avaliação técnica da corte também sofreu abalos. Para 59,5% dos brasileiros, a maioria dos ministros não demonstra competência e imparcialidade em seus julgamentos.
Áreas cruciais como o combate à corrupção e a imparcialidade entre rivais políticos receberam avaliação "péssima" de 54% e 58% dos entrevistados, respectivamente.
A percepção de que as decisões da Corte costumam ser justas é rejeitada por 59% da população (sendo 50% de discordância total).
A análise demográfica do pedido de impeachment de Toffoli mostra que a pressão é maior entre homens (62,7%), pessoas na faixa de 25 a 34 anos (76,1%) e eleitores que votaram no ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) no segundo turno de 2022 (86,9%).
Entre os eleitores do presidente Lula (PT), o apoio ao impeachment imediato cai para 26,4%, com a maioria preferindo aguardar provas (55,5%).
Confiança no STF atinge mínimo histórico
A AtlasIntel realiza o levantamento sobre a confiança no STF desde janeiro de 2023. Com base na série temporal, o STF teve sua melhor avaliação em fevereiro de 2025.
Nesse período, o índice de brasileiros que declararam confiar na Corte atingiu 49%, superando os 47% que afirmaram não confiar. Outros momentos de avaliação relativamente positiva incluíram:
- Janeiro de 2023: No início da série, com 45% de confiança frente a 44% de desconfiança;
- Abril de 2023: Quando a confiança era de 47% e a desconfiança de 43%;
- Maio de 2024: Com a confiança em 45% e a desconfiança em 44%.
Metodologia
A AtlasIntel ouviu 2.090 pessoas entre os dias 16 e 19 março. A margem de erro é de 2 pontos porcentuais para mais ou para menos. A confiança é de 95%.








