Alvo de uma operação da Polícia Federal na semana passada, o senador Ciro Nogueira (PP-PI) é investigado como o suposto operador político de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. Em março deste ano, quando vieram a público as primeiras mensagens citando o nome do político, Ciro afirmou em uma entrevista que renunciaria ao cargo caso houvesse alguma denúncia comprovada contra ele.
A declaração foi relembrada durante o programa Café com a Gazeta, da Gazeta do Povo. Na ocasião, Ciro disse: “pode ter toda a certeza: se surgir algum dia na vida qualquer denúncia que seja comprovada contra o senador Ciro, eu renuncio ao meu mandato”. Veja a declaração clicando no vídeo no alto da página.
Ciro disse ainda na ocasião: “jamais voltarei ao meu estado para olhar o povo da minha terra olho no olho se eu não tiver autoridade e confiança”. Na sexta-feira (8), quando foi deflagrada a operação, o discurso era diferente. Em nota, o senador negou irregularidades e assegurou: “nada me faz abandonar o povo que confia em mim.”
Renúncia poderia ser estratégia da defesa
O comentarista político Jorge Serrão ressaltou que, caso Ciro Nogueira venha a renunciar ao cargo, o caso sai do Supremo Tribunal Federal (STF) e volta para a primeira instância. “Ele não vai renunciar? Depende. Se for uma estratégia desenhada pela defesa para tirar o processo do STF, ele pode renunciar, sim. Esse é o ponto”, analisa.
Serrão cita outra consequência, essa no campo eleitoral, da investigação contra Ciro: a de que dificilmente o PP irá emplacar o candidato a vice-presidente na chapa de Flávio Bolsonaro (PL). “Ele tentava uma articulação para se aproximar de Flávio Bolsonaro, mas agora está na pista da Polícia Federal — uma pista indesejável.”




