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CPI do Crime Organizado

Comissão convoca Castro e Ibaneis e quebra sigilos de cunhado de Vorcaro

CPI do Crime Organizado
CPI do Crime Organizado aprofundar investigações contra facções criminosas e fraudes do Banco Master. (Foto: Geraldo Magela/Agência Senado)

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A CPI do Crime Organizado aprovou, nesta terça-feira (31), a convocação dos ex-governadores do Rio de Janeiro, Cláudio Castro (PL-RJ), e do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB-DF), para prestarem depoimentos sobre o avanço da criminalidade no estado fluminense e nas decisões que levaram o governo distrital às negociações do Banco de Brasília (BRB) com o Banco Master.

A comissão também aprovou a quebra dos sigilos do cunhado do banqueiro preso Daniel Vorcaro, o empresário e pastor Fabiano Zettel, que é apontado como operador financeiro das fraudes cometidas pelo Banco Master.

Enquanto os dois primeiros requerimentos foram aprovados em globo, ou seja, de uma só vez, a quebra dos sigilos de Zettel ocorreu de forma separada e nominalmente por conta de uma decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) que proibiu acessos a esses dados em votações amplas.

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Isso levou a fortes críticas do presidente da CPI, Fabiano Contarato (PT-ES), do relator Alessandro Vieira (MDB-SE) e do senador Magno Malta (PL-ES), que chegou a defender o descumprimento de decisões da Corte principalmente em relação às convocações derrubadas por recursos de “habeas corpus”.

Também foram aprovados os requerimentos de informações sobre a compra do antigo Banco Máxima por Vorcaro, que o transformou no Master, informações sobre atos conduzidos pelo ex-diretor de fiscalização do BC, Paulo Sérgio Neves, e pele o ex-chefe do Departamento de Supervisão Bancária da autoridade monetária, Belline Santana, entre outros. Estes dois últimos recebiam propina de Vorcaro para fornecer informações privilegiadas sobre atos e processos internos do Banco Central referentes ao Master.

A comissão aprovou, ainda, a convocação obrigatória do ex-presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, para prestar esclarecimento sobre eventuais falhas na fiscalização no período em que comandou o órgão e que o Banco Master cresceu e se projetou no Sistema Financeiro Nacional (SFN). Ele seria ouvido na sessão, mas, pela segunda vez, não compareceu.

"Considerando a informação prestada pelo ex-presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, alegando impossibilidade de comparecimento para a presente sessão, e considerando que isso já vem se arrastando e é fundamental que a gente tenha aqui a coleta de informações com os dois presidentes de Banco Central que estavam à frente durante esse périplo do Banco Master, peço que coloque em votação o requerimento de convocação de Roberto Campos Neto", afirmou o senador Alessandro Vieira, relator da CPI.

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Convocações de Castro e Ibaneis

No caso de Cláudio Castro, Vieira afirmou que a CPI precisa ouvi-lo por conta do avanço da criminalidade – principalmente da atuação do Comando Vermelho – no Rio de Janeiro, que teria se tornado o “laboratório das mais sofisticadas dinâmicas de crime organizado do país”. “Absolutamente indispensável”, classificou.

No ano passado, uma megaoperação policial descobriu que a facção utilizava os complexos do Alemão e da Penha, na Zona Norte da capital, como centro de treinamento de aliados de outros estados, que se abrigavam lá por conta das restrições impostas pelo Supremo Tribunal Federal (STF) com a chamada “ADPF das Favelas”, que definiu regras rígidas para as incursões das autoridades nas favelas.

Já a justificativa para a convocação de Ibaneis Rocha se dá pelas decisões envolvendo as negociações entre o Banco de Brasília (BRB) e o Banco Master, como o processo frustrado de compra e a venda de R$ 12 bilhões em carteiras de crédito fraudulentas pelo banco privado ao estatal. A CPI pretende saber qual foi o grau de envolvimento do então governador nestes processos.

Ibaneis Rocha negou que tenha tido participações e que se encontrou algumas vezes com Daniel Vorcaro apenas em caráter institucional, mas sem jamais tratar de negociações. A CPI, no entanto, não acredita nesta versão, já que o Governo do Distrito Federal (GDF) é o acionista majoritário e controlador do BRB, e todas as decisões mais importantes – incluindo estas com altos volumes financeiros – passam pelo escrutínio da direção.

O BRB, inclusive, tem até está terça (31) para apresentar o balanço financeiro de 2025 que deve dar a dimensão do real prejuízo tomado nas negociações com o Master – que devem ficar na casa dos bilhões, segundo fontes.

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