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Para entender

Como a briga por terras raras no Brasil acirra a polarização eleitoral?

Barcaças carregadas de minério no Rio Paraguai. (Foto: Leandro Grandi/Agência Vale)

A compra da mineradora Serra Verde em Goiás por uma empresa americana, com apoio financeiro dos EUA, elevou a disputa entre americanos e chineses por minerais estratégicos no Brasil. O negócio virou centro de um embate ideológico entre governo e oposição para as eleições de 2026.

O que são as terras raras e por que elas são tão importantes?

As terras raras são um grupo de 17 minerais essenciais para fabricar produtos de alta tecnologia, como chips, baterias de carros elétricos, drones e turbinas eólicas. Como a China controla 90% da produção mundial desse mercado, países como os Estados Unidos estão investindo bilhões de dólares para encontrar novos fornecedores e reduzir a dependência dos chineses, enxergando no Brasil um parceiro estratégico.

Qual foi o estopim para esse debate político atual?

A polêmica começou após a empresa americana USA Rare Earth comprar a mineradora Serra Verde, em Minaçu (GO), por US$ 2,8 bilhões. O governo dos Estados Unidos apoiou o negócio com financiamento bilionário. Como a Serra Verde opera a única mina ativa de terras raras no Brasil, partidos de esquerda viram a operação como uma ameaça à soberania, enquanto a direita defende que o investimento estrangeiro é necessário para o desenvolvimento.

Como os pré-candidatos à Presidência estão se posicionando?

O debate já mira 2026. O senador Flávio Bolsonaro (PL) defende o Brasil como solução para os EUA contra a China. Em resposta, o ministro Guilherme Boulos e alas da esquerda o acusaram de 'entregar' riquezas nacionais. Já o presidente Lula afirmou que 'ninguém será dono' das riquezas minerais brasileiras, embora tenha recuado da ideia de criar uma estatal específica para o setor, a Terrabras, por receio de custos e resistência política.

Existem ações na Justiça tentando barrar a venda da mineradora?

Sim. Partidos como PSOL, Rede e PCdoB acionaram a Procuradoria-Geral da República e o STF. Eles alegam que o governo de Goiás, sob Ronaldo Caiado, invadiu competência da União ao intermediar a venda e que a operação transfere ativos estratégicos do país sem proteção suficiente ao interesse nacional. O argumento é que o financiamento estatal americano caracteriza uma intervenção externa em setor estratégico brasileiro.

Qual é a principal diferença de visão entre as alas ideológicas?

A esquerda aposta no controle estatal e na soberania nacional, temendo que os minerais saiam do país sem gerar industrialização local. Já a direita e setores do mercado veem um risco de intervenção estatal afugentar investidores. Eles defendem que atrair capital estrangeiro acelera a exploração dos recursos, criando empregos e inserindo o Brasil nas cadeias globais de tecnologia de forma competitiva.

Conteúdo produzido a partir de informações apuradas pela equipe de repórteres da Gazeta do Povo. Para acessar a informação na íntegra e se aprofundar sobre o tema leia a reportagem abaixo.

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