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A eleição para as presidências da Câmara dos Deputados e do Senado, marcada para fevereiro de 2027, tornou-se uma das principais disputas de poder da política nacional. Para chegar à próxima legislatura com bancadas capazes de influenciar a escolha dos comandos das duas Casas, partidos do Centrão optaram por permanecer neutros na corrida presidencial de 2026 e concentrar esforços na ampliação de sua representação no Congresso.
A estratégia também permite aos partidos formar palanques distintos nos estados, preservando alianças regionais e ampliando as chances de eleger deputados federais e senadores. Nos bastidores, a avaliação é de que o fortalecimento das bancadas será decisivo para manter a influência do bloco no comando do Congresso a partir de 2027.
A eleição para as Mesas Diretoras nas duas casas ocorre no início da legislatura, em fevereiro de 2027. Saem com mais força os candidatos de partidos com grandes bancadas eleitas e que têm influência não apenas sobre seus próprios colegas de partido, mas que conseguem também formar alianças com outras legendas de porte, de modo a dividir com seus deputados os cargos do comando (secretarias da Mesa Diretora) e também as comissões temáticas da Câmara e do Senado.
A avaliação de especialistas ouvidos pela Gazeta do Povo é de que, com o fortalecimento institucional do Legislativo nos últimos anos, especialmente pelo aumento da influência sobre o Orçamento, a prioridade de partidos do Centrão deixou de ser apenas participar da chapa presidencial vencedora. O objetivo agora é formar uma bancada robusta capaz de influenciar qualquer governo eleito.
Para o cientista político Adriano Cerqueira, a estratégia resgata uma característica histórica de partidos como o MDB, que tradicionalmente priorizava alianças regionais em vez de uma candidatura própria ao Planalto.
"É uma estratégia antiga do MDB. Ele raramente tinha candidato presidencial e crescia muito nos estados, fazendo todo tipo de aliança com chapas majoritárias mais à direita ou mais à esquerda, dependendo do contexto regional", recorda o cientista.
Segundo Cerqueira, a neutralidade permite que partidos como União Brasil, PP e Republicanos explorem diferenças regionais do eleitorado brasileiro.
"Como eles têm atuação no Nordeste, onde Lula é forte, e também nas demais regiões onde candidatos de oposição têm mais força, essa possibilidade de fazer alianças estaduais é favorecida com a neutralidade nacional", completa.
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Mais cadeiras, mais poder em Brasília
O principal ativo buscado pelos partidos é o tamanho das bancadas. Para o analista político Alexandre Bandeira, a lógica atual dos partidos passa primeiro pela eleição para o Congresso e depois pela disputa presidencial.
"Hoje, para um partido político, é muito mais importante uma campanha eleitoral para deputado federal do que para presidente da República", avalia o analista.
A explicação, segundo Bandeira, está no peso das bancadas para o funcionamento dos partidos, inclusive na distribuição dos recursos públicos.
"É justamente a divisão dos votos que os partidos conseguem por meio dos deputados federais que vai garantir recursos do fundo partidário, que mantém as contas e as atividades partidárias", reforça Bandeira.
Nesse cenário, a liberdade para fazer alianças diferentes em cada estado se torna uma ferramenta eleitoral. "O Centrão tem uma flexibilidade de fazer acordos com diversas ideologias. O que vai contar no final das urnas é saber se conseguiu fazer mais deputados do que necessariamente eleger o presidente da República", acrescenta.
Disputa pela Mesa começa antes da eleição
O tamanho das bancadas eleitas em outubro de 2026 será determinante para a disputa pela presidência da Câmara e do Senado em 2027.
Na Câmara, a sucessão de Hugo Motta dependerá diretamente da composição partidária da próxima legislatura. No Senado, a renovação de dois terços da Casa — 54 das 81 cadeiras — transforma a eleição em uma disputa estratégica para os grupos políticos.
Além de influenciar a agenda legislativa, o comando das Casas tem peso institucional: os presidentes da Câmara e do Senado participam da definição da pauta, controlam espaços estratégicos e estão na linha sucessória da Presidência da República.
Para Adriano Cerqueira, essa disputa já está no radar dos grandes partidos. "O comando da Câmara e do Senado é fundamental. Entra na linha direta de sucessão do presidente, tem acesso à liberação de verbas, de emendas, e participa ativamente das deliberações dos maiores projetos", explica.
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De partidos de apoio a protagonistas do poder
Os especialistas avaliam que a própria definição de Centrão mudou ao longo dos anos. O bloco que antes reunia partidos médios interessados em negociar apoio ao governo de plantão passou a ser formado por algumas das maiores legendas do Congresso.
"O que se chama de Centrão hoje são os maiores partidos do Congresso. Eles não têm mais um comportamento de partido pequeno, são partidos grandes que querem o comando da política brasileira, seja no Congresso, seja em cargos executivos", afirma Cerqueira.
Na avaliação de Bandeira, a neutralidade em 2026 funciona como uma forma de preservar a capacidade de negociação após a eleição. "Quando você cria independência política, você não se compromete em ser oposição. E não sendo oposição, cria facilitadores para fazer uma composição lá na frente", completa.
Estratégia do Centrão reforça necessidade de negociar com o Congresso
A estratégia também revela um cenário em que o futuro presidente da República poderá depender ainda mais de negociações com um Congresso fortalecido.
Cerqueira avalia que a ausência de alianças nacionais com esses partidos pode dificultar a formação de uma base governista após a eleição. "Se Lula for reeleito, terá mais dificuldade para trazer esses grandes partidos ao seu apoio. Se Flávio Bolsonaro for eleito, terá mais facilidade para fazer composição com esses partidos", avalia.
Independentemente do resultado presidencial, a disputa pelo Congresso promete ser uma das principais batalhas políticas de 2026. Para os partidos de centro, a eleição não será apenas sobre quem ocupará o Planalto, mas sobre quem terá a maior força para definir os rumos de Brasília a partir de 2027.










