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"Valorização"

Criação de penduricalho foi “prioridade absoluta” do STJ, aponta relatório

Em relatório, presidente do STJ destaca criação de licença compensatória como forma de valorizar os servidores.
Em relatório, presidente do STJ destaca criação de licença compensatória como forma de valorizar os servidores. (Foto: Gustavo Lima/STJ)

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Em meio à tensão entre o Judiciário e o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Flávio Dino em torno dos chamados "penduricalhos", o presidente do Superior Tribunal de Justiça (STJ), ministro Herman Benjamin, divulgou, nesta terça-feira (17), seu relatório de gestão do período de agosto de 2024 a dezembro de 2025. O documento aponta que foi uma "prioridade absoluta aos gabinetes" a edição de uma resolução que cria uma licença compensatória a servidores comissionados de gabinetes com alto volume de ações.

O benefício permite uma folga a cada três dias de trabalhos, limitadas a quatro folgas por mês, podendo ser convertidas em indenizações que ficariam fora do teto salarial do funcionalismo público, de R$ 46.366,19. É o mesmo tipo de licença que o Congresso aprovou e que serviu de estopim para que Dino suspendesse os "penduricalhos" em todos os três poderes. Nesta quarta-feira (18), o presidente Lula (PT) vetou os trechos que garantiam o pagamento, alegando falta de regulamentação específica.

Somado ao Tribunal Superior do Trabalho (TST), que também criou a mesma verba, o impacto aos cofres públicos foi estimado em R$ 3,4 milhões por mês. O relatório de Benjamin classifica a medida como necessária para a valorização dos servidores, ao lado de um adicional de qualificação aprovado pelo Congresso e do próprio reajuste ao quadro.

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Outra medida apontada foi a convocação de 193 novos servidores ao Tribunal, 118 deles para vagas disponíveis nos 35 gabinetes. Foi fixado que cada gabinete terá 38 servidores comissionados, o que, de acordo com o presidente, "amplia a atratividade da função".

A Constituição fixa o salário de um ministro do STF como valor máximo que qualquer servidor público pode receber mensalmente. Em 2005, porém, o Congresso emendou o texto constitucional para excluir as verbas indenizatórias da limitação. Com isso, o Judiciário passou a registrar os chamados "supersalários", pagamentos mensais superiores a R$ 100 mil. Um estudo do Movimento Pessoas à Frente obteve que, de agosto de 2024 a julho de 2025, cerca de R$ 20 bilhões em dinheiro público foram utilizados para pagar beneficios acima do teto do funcionalismo público.

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