A tensão diplomática entre Brasil e Estados Unidos ganhou mais um capítulo nesse final de semana. A plataforma americana Rumble, similar ao YouTube, fez um adendo a uma ação judicial movida nos EUA contra decisões do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, no último sábado (12). A medida é uma reação à notificação enviada por e-mail pelo ministro no dia anterior, exigindo que a empresa removesse contas de investigados no inquérito sobre os "ataques ao Estado Democrático de Direito" - entre elas, a do jornalista Rodrigo Constantino. Sobre isso, falou ao programa Sem Rodeios, da Gazeta do Povo, Martin de Luca - advogado da Rumble e também do presidente americano Donald Trump - nesta segunda-feira (14).
Segundo De Luca, Moraes está “dobrando a aposta” contra os EUA ao emitir essa decisão. Ele questiona, no entanto, se o ministro agiu por conta própria ou em coordenação com o Palácio do Planalto e o Itamaraty. Para o advogado, qualquer uma das hipóteses é preocupante: se Moraes agiu sozinho, estaria sabotando as negociações bilaterais em torno do tarifaço; se agiu com apoio do governo Lula, isso contrariaria conversas que já teriam sido feitas entre a diplomacia brasileira e a americana - senão mesmo entre os dois presidentes.
De Luca também destacou que a conta de Constantino está inativa desde dezembro de 2023 e que o jornalista reside na Flórida. Cumprir a ordem brasileira de fornecer os seus dados, portanto, obrigaria a Rumble a violar a legislação americana.
Na visão do advogado, a decisão arrasta todo o STF para o centro da crise diplomática e dá razão à reação de Trump. Segundo ele, o tarifaço é uma resposta a anos de abusos do Judiciário brasileiro, que passaram despercebidos sob a gestão Biden.
Comentando os recentes posicionamentos públicos do presidente Lula, incluindo o vídeo em que ele diz que levará jabuticaba aos EUA para negociar com Trump, De Luca ponderou que o petista fala para agradar seu eleitorado interno. No entanto, o advogado afirma que o conteúdo realmente importante para determinar os próximos passos da crise é aquele que será falado em privado entre os dois presidentes.
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