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Justiça

Decisões do STF criam “insegurança jurídica” e podem atrasar CPMI do INSS, diz Viana

“Estamos no momento mais difícilI”, diz presidente da CPMI do INSS -ao pedir prorrogação dos trabalhos. (Foto: Jefferson Rudy/Agência Senado)

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O presidente da CPMI do INSS, senador Carlos Viana (Podemos-MG), afirmou nesta segunda-feira (9) que decisões recentes do Supremo Tribunal Federal (STF) têm gerado “insegurança jurídica” e dificultado o andamento dos trabalhos da comissão. Diante disso, ele defende a prorrogação da CPMI por pelo menos 60 dias para que a investigação possa ser concluída.

Recentemente, o ministro Flávio Dino anulou requerimentos aprovados em votação em bloco pela comissão, o que levou a uma reavaliação de pedidos de quebra de sigilo e outras medidas. Além disso, investigados e convocados têm recorrido ao STF e obtido habeas corpus que permitem ausência em depoimentos.

Para Viana, essas decisões criaram dúvidas sobre o alcance das determinações judiciais e têm impactado diretamente a capacidade da comissão de ouvir testemunhas e avançar nas investigações. Ele explica que a comissão enfrenta o "momento mais delicado" da apuração justamente quando começa a avançar sobre possíveis responsáveis políticos pelo esquema investigado.

“Nós identificamos os operadores, identificamos o caminho do dinheiro, quanto foi roubado e como foi roubado. Agora precisamos descobrir quem são os entes políticos que favoreceram esse esquema. Todas as decisões que nos impedem de ouvir pessoas que podem ajudar a esclarecer prejudicam e prejudicam muito o andamento dos trabalhos”, afirmou.

Sobre a decisão de Flávio Dino que anulou votações em bloco realizadas pela CPMI, Viana declarou que a medida criou dúvidas sobre a validade de requerimentos aprovados pela comissão.

“O próprio Supremo faz votações em bloco e todas as CPMIs fazem votações em bloco. Isso gera uma insegurança jurídica muito grande”, disse.

Segundo ele, a Advocacia do Senado já encaminhou aos ministros do STF um posicionamento jurídico contestando a decisão e defendendo as prerrogativas do Congresso.

Viana marca reunião com Mendonça

O presidente da CPMI também informou que tem uma audiência marcada para quarta-feira com o ministro André Mendonça para discutir decisões judiciais que, segundo ele, limitaram a atuação da comissão.

Entre os temas da reunião está a revisão de habeas corpus concedidos a investigados e a possibilidade de convocar o fundador do Banco Master, Daniel Vorcaro, para prestar depoimento.

“Vou levar a ele [Mendonça], primeiramente, um diálogo, o nosso respeito institucional entre os poderes, mais os pedidos de revisão dos habeas corpus, das decisões que permitiram que as pessoas não viessem. Para nós, é fundamental para que a gente dê sequência. E eu espero, com toda tranquilidade, que ele ouça e que nos ajude a dar um resultado muito mais positivo nessa investigação que interessa a todo o Brasil”, afirmou Viana.

Questionado sobre o vazamento de mensagens atribuídas a Vorcaro, Viana afirmou que não há provas de que o material tenha sido divulgado pela CPMI.

Segundo ele, os dados passaram por diferentes órgãos e podem ter sido acessados por várias pessoas. “Não há a menor condição de se dizer que os vazamentos aconteceram pela CPMI”, disse.

Próximas oitivas

Apesar das disputas jurídicas, a comissão segue com a agenda de depoimentos. O senador confirmou que a empresária Leila Pereira deve comparecer à CPMI na próxima segunda-feira (13).

Segundo Viana, ela chegou a pedir o adiamento da oitiva por causa da final disputada pelo Sociedade Esportiva Palmeiras no domingo (8), mas depois a defesa apresentou outro argumento alegando que a decisão do STF teria anulado os requerimentos de convocação — interpretação contestada pela comissão.

Já o depoimento do presidente da Dataprev foi remarcado para o dia 23 de março após ele informar conflito de agenda por exames médicos.

Diante das dificuldades nas oitivas, Viana também afirmou que aguarda a decisão do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), sobre a prorrogação dos trabalhos e disse que, se preciso, recorrerá à Justiça para estender a CPMI por pelo menos 60 dias.

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