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Ministro do STF

Dino diz que emendas são “maior vetor de corrupção” no Brasil

Dino diz que emendas são “maior vetor de corrupção” no Brasil
Dino afirmou que flexibilização de regras na pandemia abriu uma brecha para a expansão das emendas e da corrupção. (Foto: Victor Piemonte/STF)

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O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Flávio Dino afirmou nesta segunda-feira (24) que as emendas parlamentares são hoje o “maior vetor de corrupção” no Brasil. Dino destacou que a flexibilização das regras de repasses durante a pandemia da Covid-19 aprofundou o problema.

“Quando somos chamados a falar de criminalidade, Estado e mercado, se nós olharmos apenas para o estamento estatal burocrático, não vejo hoje vetor maior de corrupção senão as emendas parlamentares. É algo que percorre as três instâncias federativas e é algo que percorre, em certo sentido, os três poderes e, fortemente à advocacia”, disse o ministro.

A declaração ocorreu durante uma reunião sobre "Criminalidade, Estado e Mercado", promovida pelo Grupo de Estudos de Lavagem de Dinheiro da USP. O ministro participou por meio de videoconferência. A informação foi divulgada pelo jornal Valor Econômico.

Relator das ações que tratam da execução e transparência das emendas, Dino afirmou que nos últimos anos os repasses chegaram a R$ 150 bilhões. Ele também falou do avanço do crime organizado no país, afirmando que corruptos, membros da classe política e narcotraficantes nunca estiveram tão entrelaçados no Brasil.

Para o ministro, a criação do “Orçamento de Guerra”, em 2020, que flexibilizou as regras fiscais durante a pandemia, foi “uma espécie de marco zero” das emendas. “É algo a ser estudado como tão rapidamente engenhos criminosos se formaram por dentro disso, na alocação de recursos para a saúde. Naquele momento surge o Orçamento secreto com a dimensão que tem hoje”, disse.

Dino afirmou ainda que criminosos, corruptos e membros da classe política nunca estiveram tão "amalgamados" no país. "Antigamente, o avião do chefe da facção violenta e o avião do político corrupto, do juiz corrupto, eram pelo menos aviões diferentes. Hoje, o mesmo avião transporta toda essa gente", apontou. 

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