
O ministro Flávio Dino, do STF, retirou o sigilo da investigação que apura supostos desvios de recursos públicos para financiar o filme Dark Horse, sobre Jair Bolsonaro. Os documentos liberados neste fim de semana indicam que as suspeitas contra o deputado Mário Frias e a produtora Karina Gama ainda se baseiam em coincidências temporais e informações preliminares pendentes de provas concretas.
Quais são os principais indícios que sustentam a investigação até agora?
Os investigadores focam em três pontos principais: a gestão única das empresas envolvidas, coincidências de datas e endereços compartilhados. Karina Ferreira da Gama preside as organizações sociais Instituto Conhecer Brasil e Academia Nacional de Cultura, além de ser dona da produtora do filme, a Go Up Entertainment. Todas essas empresas funcionam na Avenida Paulista. Outro ponto é que as gravações do longa ocorreram no mesmo período em que o instituto recebia repasses milionários de um contrato com a prefeitura de São Paulo, embora a origem do dinheiro privado usado na obra ainda não tenha sido declarada.
Existe prova direta de que dinheiro público pagou a produção do filme?
Até o momento, as quase quatro mil páginas de documentos tornadas públicas não trazem comprovantes de transferências bancárias diretas das contas das entidades suspeitas para a produtora do filme. Os investigadores trabalham com a hipótese de triangulação, onde o dinheiro público seria pulverizado entre empresas subcontratadas e contas pessoais para depois ser canalizado ao filme. No entanto, juristas alertam que as acusações ainda possuem um caráter hipotético e dependem da quebra de sigilo bancário pelo Coaf e da perícia em aparelhos eletrônicos apreendidos para serem confirmadas.
Como o deputado federal Mário Frias aparece envolvido no caso?
Mário Frias é investigado por suspeita de integrar uma organização criminosa que teria direcionado verbas federais, via emendas parlamentares, para as organizações de Karina Gama. Ele também é um dos roteiristas do filme. Relatórios do Coaf apontam que o deputado fez transferências pessoais de 645 mil reais para a produtora Go Up entre novembro e dezembro de 2025. Esse valor é considerado incompatível com o salário declarado de parlamentar. Frias nega irregularidades e chama a operação de cortina de fumaça, enquanto a defesa de Karina afirma que a publicidade do caso ajudará a esclarecer os fatos.
Quais irregularidades foram encontradas no contrato com a prefeitura de São Paulo?
A investigação aponta um possível superfaturamento no projeto WiFi Livre SP, onde o Instituto Conhecer Brasil deveria instalar cinco mil pontos de internet. O valor pago por ponto foi de 1.800 reais, muito acima dos cerca de 300 reais pagos em contratos anteriores. Além disso, apenas 3.200 pontos foram instalados, mas a prefeitura repassou 69 milhões de reais, gerando uma diferença sem explicação de 26 milhões. Também há suspeitas sobre notas fiscais canceladas ou sem valor fiscal que totalizam 8,5 milhões de reais, usadas para encobrir saídas de recursos sem a devida prestação de serviços.
Conteúdo produzido a partir de informações apuradas pela equipe de repórteres da Gazeta do Povo. Para acessar a informação na íntegra e se aprofundar sobre o tema leia a reportagem abaixo.





