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Caciques políticos

Direita e Centrão miram controle do Congresso em paralelo à corrida pela Presidência

Gilberto Kassab, do PSD, e Valdemar Costa Neto, do PL
Gilberto Kassab, do PSD, e Valdemar Costa Neto, do PL, montam estratégias para as eleições 2026 (Foto: Wilson Dias / Agência Brasil / Valter Campanato / Agência Brasil)

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Chefes de dois dentre os maiores partidos do país, Gilberto Kassab (PSD) e Valdemar Costa Neto (PL) protagonizam as articulações da centro-direita e da direita enquanto sustentam os principais rivais de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na corrida presidencial: Flávio Bolsonaro (PL) e Ronaldo Caiado (PSD).

Mais do que padrinhos eleitorais, os dois dirigentes partidários operam em quadra estratégica própria, paralela à disputa pelo Palácio do Planalto. A prioridade deles é ampliar as suas respectivas bancadas no Congresso para controlar fatias maiores do orçamento federal e influir na agenda legislativa.

PSD e PL disputam protagonismo em qualquer cenário. A diferença é que Kassab disse que ficaria contente se seu candidato à Presidência tivesse 15% dos votos no primeiro turno. Já Costa Neto afirmou ser preciso eleger o chefe do Executivo para influenciar também a escolha do próximo presidente do Congresso.

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Janela partidária fortalece bancada do PL e deixa PSD do mesmo tamanho

O movimento recente da janela partidária reforçou as estratégias de Kassab e Costa Neto. Foram cerca de 120 trocas de deputados, evidenciando a dança política orientada mais pelas eleições de 2026 do que por afinidades programáticas. O PL emergiu como vencedor líquido, alcançando a marca de 97 deputados.

O PSD, por sua vez, exibiu a conhecida flexibilidade. Na Câmara, ficou entre os partidos de saldo estável, subindo de 47 para 49 deputados. No Senado, perdeu nomes importantes, como Rodrigo Pacheco (MG) e Eliziane Gama (MA), recuando de 13 para 11 membros, reflexo da candidatura de Caiado. Pacheco foi para o PSB, já Eliziane migrou para o PT.

Costa Neto tem reforçado em entrevistas que o crescimento da bancada do PL não pode ser visto só como ativo da candidatura presidencial da legenda. Segundo ele, a prioridade é consolidar o partido como a maior força do Congresso. A meta para a próxima eleição é alcançar 150 deputados e 20 senadores.

Costa Neto conta com voto conservador para ampliar as bancadas no Congresso

Kassab aposta na elasticidade política do PSD, mantendo de pé pontes com diferentes campos ideológicos. O objetivo é oferecer governabilidade para quem vença a eleição presidencial. Costa Neto, por sua vez, conduz o PL alinhado ao eleitor conservador, mirando ser a maior força do Congresso.

O avanço do PL na janela partidária é visto por analistas como resultado da força do sobrenome Bolsonaro. A avaliação é de que vários nomes optaram por retornar à sigla de olho em suas próprias candidaturas. A condição de Flávio Bolsonaro de pré-candidato mais competitivo contra Lula foi um fator definidor.

Tanto Kassab quanto Costa Neto buscam consolidar poder estrutural acima dos ciclos eleitorais e ampliar o valor das suas siglas na condução do país. Apesar de diferenças de estilo, há convergência estratégica: ambos buscam ocupar postos-chave no Legislativo.

Dirigentes partidários têm alvo mais amplo do que Congresso e Presidência

Para especialistas ouvidos pela Gazeta do Povo, a lógica que move Kassab e Costa Neto difere da polarização na corrida presidencial. No sistema político fragmentado do país, quem controla blocos parlamentares grandes negocia governabilidade, ritmo de reformas e até estabilidade institucional.

Nesse contexto, a eleição presidencial é apenas parte do jogo. A verdadeira correlação de forças se define na composição do Legislativo, onde partidos estruturados conseguem impor agendas, negociar cargos e moldar políticas públicas. É nesse tabuleiro que Kassab e Costa Neto jogam e movem as peças.

Ambos buscaram atrair puxadores de votos e líderes regionais para garantir que seus partidos avancem no Congresso. O tamanho das bancadas a serem eleitas define a fatia que receberão dos bilionários fundos eleitoral e partidário, além do tempo de propaganda política no rádio e TV.

Especialistas apontam diferenças e semelhanças entre Kassab e Costa Neto

Para o cientista político Ricardo Caldas, Kassab e Costa Neto têm perfis semelhantes como operadores de grandes máquinas partidárias, ainda que tenham pouco capital eleitoral próprio. Segundo ele, o foco comum dos dois é mesmo ampliar bancadas e acessar recursos públicos relevantes.

Caldas destaca, contudo, que essa estratégia garante não apenas poder de negociação, mas também espaços no governo.

Ele observa que, enquanto Costa Neto preferia indicar aliados para cargos públicos no governo do ex-presidente Jair Bolsonaro, Kassab historicamente busca postos para si no Poder Executivo, como o de vice, por exemplo.

Já o professor de Ciências Políticas Adriano Gianturco concorda que ambos os caciques partidários são figuras centrais da política nacional que operam para ampliar influência no Congresso. Ele observa, contudo, que essa dimensão de poder quase nunca é percebida com clareza pelo eleitor.

Estratégia de crescimento do PSD parte da capilaridade em nível regional

A dinâmica partidária brasileira atravessa uma reorganização forçada, com regras mais rígidas de desempenho eleitoral e de acesso a recursos públicos. A chamada cláusula de barreira e a concentração de verbas pressionam siglas menores a se fundirem ou redefinirem estratégias para sobreviver.

Nesse ambiente, os partidos atuam em múltiplas frentes para preservar espaços, indo além das urnas. A disputa envolve controle de bancadas, tempo de propaganda e influência na formação de maiorias, numa seleção que privilegia estruturas mais organizadas e com maior capilaridade.

O cientista político Leonardo Barreto vê no PSD, com meta de eleger 80 deputados federais, que o plano do partido se baseia na capilaridade regional. Ele receia, contudo, que a saída de Ratinho Jr. da corrida presidencial e o ruído na relação entre Kassab e o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), tirem um pouco da força dessa estratégia.

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