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Caso "Dark Horse"

Distribuidora de filme sobre Bolsonaro adia lançamento para depois da eleição

Cartaz do filme Dark Horse
Detalhe de cartaz do evento em que "Dark Horse" foi exibido pela primeira vez, em Las Vegas. (Foto: Divulgação/UnAuthorized)

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A Europa Filmes decidiu adiar para depois das eleições o lançamento do filme “Dark Horse”, cinebiografia inspirada na trajetória política do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), que inicialmente poderia chegar aos cinemas em setembro, antes do primeiro turno.

O adiamento ocorre em meio à investigação do financiamento da produção que tem o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), candidato à presidência da República, como um dos principais alvos. Mensagens vazadas à imprensa o mostram pedindo ao ex-banqueiro preso Daniel Vorcaro, do liquidado Banco Master, em que pelo menos R$ 61 milhões teriam sido pagos.

“A ideia de lançar Dark Horse apenas depois das eleições é minha. Já tive uma experiência que não foi boa quando lançamos o filme ‘Lula, o Filho do Brasil’ em ano eleitoral (o filme foi exibido nas salas em 2010). Não é estratégico lançar antes. Quero fazer o meu trabalho e, se possível, bem feito”, afirmou Wilson Feitosa, diretor-geral da Europa Filmes, em entrevista ao jornal O Globo publicada nesta quarta-feira (26).

Feitosa também negou qualquer participação de Flávio Bolsonaro ou de seus aliados nas decisões comerciais da obra, frisando que nunca teve contato com o parlamentar ou seus aliados e que sua participação “é exclusiva em distribuir o filme e só tenho tratado diretamente com a produtora do filme”.

O adiamento do lançamento também ocorre em meio à burocracia para exibição de "Dark Horse" no Brasil. O filme já possui Registro de Obra Estrangeira (ROE) na Agência Nacional do Cinema (Ancine), mas ainda não tem o Certificado de Registro de Título (CRT).

Segundo Feitosa, a ausência do CRT não representa atraso, porque a distribuidora pretende solicitar o documento somente depois de definir a estratégia de lançamento.

“O CRT será solicitado tão logo a gente tenha terminado a estratégia de lançamento do filme, coisa que ainda não está pronta”, afirmou.

Nesta semana, o ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou a Polícia Federal a acessar provas reunidas pela Polícia Civil de São Paulo em investigação envolvendo a Go Up Entertainment, produtora de “Dark Horse”. O material poderá ser utilizado em uma apuração sobre a destinação de emendas parlamentares e demais referentes ao filme.

A produtora apresentou uma perícia privada contratada pela defesa de sua proprietária, Karina Ferreira da Gama, que estimou em cerca de R$ 75,2 milhões os gastos com o filme e afirmou não ter encontrado recursos públicos de outros contratos, emendas ou Lei Rouanet na produção.

O laudo, porém, foi elaborado com documentos fornecidos pela própria empresa e não incluiu acesso aos dados do fundo utilizado para financiar o longa.

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