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O ministro Dario Durigan, da Fazenda, partiu para o ataque nesta segunda-feira (27) e chamou o presidente argentino, Javier Milei, de “palhaço” por causa das fortes críticas feitas por ele no final de semana contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).
As críticas foram feitas durante a convenção do PL que lançou oficialmente a candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) à presidência da República. Para Durigan, o Brasil está muito mais à frente da Argentina em questões como inflação, balança comercial, safra expressiva e desmatamento em queda.
“O palhaço do presidente da Argentina veio ao Brasil e falou de Brasil, quando o risco país da Argentina é muito mais alto, a dívida pública é muito mais alta, a inflação é muito mais alta”, declarou Durigan em entrevista à Rádio Jornal, de Pernambuco.
Dario Durigan foi além e tentou minimizar previsões negativas sobre a economia brasileira, afirmando que não se deve acreditar em previsões pessimistas sobre o desempenho do país.
“Não dá pra entrar na onda dessas pessoas que dizem que vai virar apocalipse. Não estou dizendo que está tudo resolvido. Juros [altos] que afetam todo mundo, agricultores, família empresas. Eu tenho que pagar juros altos pra rolar a dívida, me incomoda muito”, pontuou.
Durante um discurso de cerca de meia hora em espanhol, Javier Milei chamou Moraes de “lixo careca” e Lula de “presidiário”. O presidente argentino afirmou ainda que a América Latina vive uma mudança política com avanço de governos de direita e associou a candidatura de Flávio Bolsonaro a esse movimento.
As falas de Milei geraram uma reação imediata da diplomacia brasileira, com o chamamento dos embaixadores para esclarecimentos. A medida é considerada como um duro recado nas relações bilaterais de países.
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Forte comércio bilateral
Mesmo em meio às divergências políticas, a Argentina é o terceiro maior parceiro comercial do Brasil atrás apenas da China e dos Estados Unidos. No ano passado, as exportações brasileiras para lá somaram US$ 18,1 bilhões, alta de 31,4% em relação ao ano anterior.
A participação argentina nas exportações brasileiras chegou a 5,2%, o maior nível desde 2018, impulsionada principalmente pelos setores automotivo e industrial:
- Setor automotivo: Carros de passeio, autopeças, acessórios e veículos de carga lideraram o volume financeiro despachado;
- Indústria de transformação: Ajudou a puxar o recorde histórico de exportações da indústria de transformação brasileira, que subiu 3,8% em valor global ancorada no forte consumo do mercado vizinho.
O aumento das vendas ao mercado argentino ajudou a compensar parte dos impactos provocados pela desaceleração econômica e pelas tensões tarifárias envolvendo os Estados Unidos.
Relações próximas, apesar dos governos opostos
Historicamente, a Argentina recorreu ao Brasil em diversos momentos de crises severas em sua balança de pagamentos, escassez de reservas internacionais ou desabastecimento energético. Como o Brasil é o maior mercado regional e a maior economia do Mercosul, essas solicitações de ajuda visavam evitar calotes internacionais, colapsos logísticos ou a paralisação do comércio bilateral.
Em 2024, por exemplo, Milei pediu ajuda ao Brasil para enfrentar uma forte onda de frio antecipada que provocou o desabastecimento de gás natural nas indústrias e postos de combustível locais. O governo argentino recorreu à Petrobras em caráter de urgência para liberar um carregamento de 44 milhões de metros cúbicos de gás liquefeito.
O navio estava travado no porto por problemas na carta de crédito argentina, mas a interferência direta dos ministérios brasileiros liberou o combustível a tempo de evitar um colapso sistêmico no país vizinho.
Antes disso, em 2023, a Argentina pediu um apoio financeiro a curto prazo para um empréstimo ponte em meio ao risco iminente de dar um calote técnico no Fundo Monetário Internacional (FMI). O Brasil, principal acionista e detentor de mais de 37% do peso de voto no Banco de Desenvolvimento da América Latina (CAF), atuou politicamente nos bastidores e deu voto favorável para aprovar um empréstimo ponte emergencial de US$ 1 bilhão para a Argentina quitar parcelas com o organismo internacional.








