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O presidente Jair Bolsonaro em um encontro com pastores em junho de 2020, no Palácio do Planalto
O presidente Jair Bolsonaro em um encontro com pastores em junho de 2020, no Palácio do Planalto.| Foto: Isac Nobrega

Os atos pró-governo convocados para o dia 7 de setembro servirão também para medir o apoio de evangélicos ao presidente Jair Bolsonaro. Lideranças de diferentes correntes religiosas, em especial de grupos pentecostais, têm convocado seus seguidores a comparecer às manifestações. Os chamados, divulgados em vídeos que circulam por Whatsapp e nas redes sociais, unem referências de uma das parcelas da população que mais deu apoio a Bolsonaro desde o período da sua pré-candidatura presidencial.

Pastores, bispos e outros representantes do segmento evangélico buscam, nos vídeos, passar a mensagem de que as manifestações não são unicamente para apoio a Bolsonaro. A pauta dos atos inclui outras bandeiras como defesa das liberdades de imprensa e expressão, separação de poderes, respeito à Constituição e retorno do voto impresso para auditar as eleições.

Os líderes religiosos também rejeitam o rótulo de que os atos de 7 de setembro seriam "golpistas", usado por adversários de Bolsonaro. Para eles, o sentido é o oposto: o "golpe" é dado pelos demais poderes, em especial o Judiciário, que estaria cerceando as ações do presidente da República e vetando posicionamentos públicos que deveriam estar protegidos pela liberdade de expressão.

O segmento evangélico foi um dos principais apoiadores de Bolsonaro durante a campanha eleitoral. Ao longo do mandato, continuou prestando sucessivos acenos aos evangélicos, como os de receber, com frequência, pastores para reuniões no Palácio do Planalto. O chefe do Executivo também ganhou pontos ao contestar o fechamento obrigatório de igrejas durante os meses iniciais da pandemia de Covid-19. E sua mais recente nomeação ao Supremo Tribunal Federal (STF) foi de André Mendonça, pastor evangélico.

O apoio a Bolsonaro entre as lideranças evangélicas fará com que pastores de diferentes estados do Brasil estejam na mesma manifestação no dia 7 – a agendada para o período da tarde, na Avenida Paulista, em São Paulo. Entre os "forasteiros" que deverão comparecer à capital paulista na data estão o carioca Silas Malafaia, da Assembleia de Deus; o amazonense Renê Terra Nova, do Ministério Internacional Restauração; e Samuel Câmara, que é pastor da Assembleia de Deus em Belém (PA).

O deputado federal Marco Feliciano (Republicanos-SP), cuja base eleitoral está no interior de São Paulo, também disse que estará na mobilização da Avenida Paulista. Segundo ele, a "maioria esmagadora [dos evangélicos] está com o presidente". "É lógico que não há unanimidade sobre esta questão, até porque alguns evangélicos se identificam como esquerdistas e progressistas. Mas são pouquíssimos."

Feliciano define como "gigante" sua expectativa de público para a manifestação. O parlamentar, que também é pastor da Catedral do Avivamento, diz que o Brasil vive um cenário de perseguição a tipos diferentes de liberdade. "Quando autoridades, de forma ditatorial, vilipendiando a Constituição, calam brasileiros por emitirem suas opiniões, quando patriotas são presos pelo mesmo motivo e entre eles está um deputado federal [referência a Daniel Silveira], é um sinal claro de que está em curso um plano de poder para defenestrar este governo conservador, liderado por um presidente honesto", afirma.

Quem são os líderes evangélicos que estão convocando para os atos

Silas Malafaia: um dos maiores nomes dentre os evangélicos no Brasil, Silas Malafaia é também um expoente nas redes sociais, onde fala para milhões de seguidores. Também figura entre os principais apoiadores de Jair Bolsonaro. Ou, mais que isso, é um conselheiro do presidente – a ponto de o senador Flávio Bolsonaro (Patriota-RJ), filho do presidente, ter pedido a presença do pastor na CPI da Covid. Malafaia “fala diariamente com o presidente e o influencia", disse Flávio à comissão. O pastor chegou a defender uma intervenção das Forças Armadas no STF, sob o pretexto de que o Artigo 142 da Constituição permite aos militares a interferência em outros poderes. A hipótese é rechaçada por juristas.

Claudio Duarte: é líder do Projeto Recomeçar e se especializou em abordagens sobre a saúde e a manutenção de uniões amorosas. Em maio, um vídeo em que ele fala sobre relacionamentos homossexuais causou problemas ao ator Caio Castro e à ex-BBB Rafa Kalimann. Na gravação, Duarte diz que não concorda com os relacionamentos entre pessoas do mesmo sexo, mas diz respeitar os homossexuais. Castro e Kalimann republicaram o vídeo em suas redes sociais e foram questionados se também seriam "contra" as relações homossexuais. Ambos foram criticados pela republicação.

Jorge e Daniela Linhares: pastor da Igreja Batista Getsêmani em Belo Horizonte, Jorge é um ferrenho crítico do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), a quem acusa de tentar interferir no cotidiano das igrejas. O pastor se tornou notícia no início de agosto após o Colégio Batista Getsêmani, do qual é diretor, veicular um vídeo com crianças fazendo críticas à ideologia de gênero. Ele teve que prestar esclarecimentos ao Ministério Público, que o investigou por um possível crime de discriminação. Sua filha, Daniela Linhares, se filiou recentemente ao PTB, partido que alinhado bolsonarismo. Ela, que também é pastora, se tornou a presidente do PTB Mulher de Minas Gerais.

Renê Terra Nova: é fundador do Ministério Internacional Restauração, baseado em Manaus (AM). Ele se reuniu com Bolsonaro em 18 de agosto e divulgou o encontro em suas redes sociais. Em outra postagem, destacou uma reunião com o vereador Nikolas Ferreira, de Belo Horizonte (MG), que é defensor do presidente da República.

Samuel Câmara: em abril, o pastor Samuel Câmara foi citado em uma reportagem do jornal O Globo que mostrava a contrariedade de líderes evangélicos ao modo como Bolsonaro conduzia o combate à pandemia de Covid-19. Câmara pedia que Bolsonaro fosse "mais protagonista" e menos "inflexível" ao modo de lidar com o problema. O quadro, porém, não se manteve. Câmara permaneceu ao lado de Bolsonaro e agora figura entre os pastores que convoca os fiéis para o ato na Paulista em 7 de setembro. Ele é irmão do deputado federal Silas Câmara (Republicanos-AM), ex-presidente da bancada evangélica do Congresso.

Estevam Hernandes: o líder da Igreja Renascer também figura entre os que fazem convocações para a manifestação de São Paulo. Hernandes foi um dos idealizadores da Marcha para Jesus. Ele é casado com a Bispa Sônia. Em 2007, ambos foram presos pela polícia dos EUA por terem entrado no país com mais de US$ 56 mil escondidos em bolsas, um porta-CDs e uma Bíblia.

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