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Funcionários de hospital na Itália, usando máscaras, fazem atendimento a possível paciente de coronavírus.
Funcionários de hospital na Itália fazem atendimento: evolução da doença no país foi semelhante a de outros países, o que serve de alerta ao Brasil.| Foto: Miguel Medina/AFP

Estudo realizado pelo Instituto Pensi mostra que o Brasil pode ter até 30 mil casos de coronavírus até o dia 1.º de abril. A projeção, realizada com base no avanço do coronavírus em outros países, mostra que o Brasil poderá atingir mais de 4 mil casos em 15 dias e pelo menos 30 mil em 21 dias a partir da última quarta-feira (11), dia em que a Organização Mundial da Saúde (OMS) declarou a pandemia do covid-19 e quando o país registrou 50 infectados. O Instituto Pensi trabalha com pesquisa e ensino em saúde infantil, do Hospital Infantil Sabará.

O Brasil tem 77 casos oficialmente confirmados até a manhã de sexta-feira (12), segundo o Ministério da Saúde – o número, contudo, já passa de 100, pois há a confirmação de pacientes infectados que ainda não foram contabilizados.

O estudo teve foco na velocidade com que a doença gera pacientes graves, levando os sistemas de saúde a receber uma demanda muito acima da capacidade, o que pode dificultar o atendimento adequado. A base de comparação é o padrão de disseminação viral.

A pesquisa diz que a dinâmica da evolução da epidemia de coronavírus na Coreia do Sul, Itália e Irã – países com maior número de infectados – foi “surpreendentemente semelhante” após o registro do 50.º caso.

A evolução da doença na França, Alemanha e Espanha segue o mesmo padrão em relação aos outros três países analisados.

O novo vírus tem capacidade de decuplicar – ou seja, multiplicar o número de casos por 10 – a cada 7,2 dias, em média.

Casos graves de coronavírus

A grande preocupação das autoridades sanitárias é que, com um súbito aumento de infectados, possa faltar estrutura para atender os pacientes com quadro clínico mais grave. A proporção de casos graves na China chegou a 13,8% e críticos, de 6,1%, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS). O tempo relativo de internação nesses casos é de 7 e 14 dias, respectivamente.

Levando em conta a velocidade de evolução da doença, o Brasil poderá precisar de cerca de 2.100 leitos hospitalares e pelo menos 525 unidades de terapia intensiva (UTIs) até o começo de abril para atender os pacientes de coronavírus, segundo a pesquisa.

O Brasil tem hoje cerca de 16 mil leitos de UTI para adultos no Sistema Único de Saúde (SUS). Mas, como 95% das UTIs hoje estão ocupadas por pacientes com outras doenças, segundo dados da Associação Brasileira de Medicina Intensiva, sobram 800 leitos de terapia intensa.

O Ministério da Saúde anunciou que vai contratar 2 mil UTIs para o coronavírus. O Brasil ficaria, portanto, com cerca de 2,8 mil unidades de terapia intensiva. Em tese, seria suficiente levando em conta o estudo do Instituto Pensi. Contudo, a própria Associação de Medicina Intensiva, de acordo com reportagem do jornal O Tempo, estima que o necessário seria ter 3,2 mil leitos de UTI num cenário de avanço da doença – o que é insuficiente.

Outro problema é que, mesmo que haja número adequado de UTIs, elas estão desigualmente distribuídas pelo país. Ou seja, pode ser que faltem unidades numa cidade ou região. Por esse motivo, as autoridades sanitárias alertam que é essencial que a população contribua para evitar a disseminação do coronavírus.

Evolução do coronavírus no Brasil é incerta

O estudo do Instituto Pensi alerta, contudo, que é preciso levar em conta que não se sabe como será a evolução do vírus no hemisfério sul e em países com clima mais quente, como o Brasil. Essas incertezas serão respondidas nas próximas semanas, já que países Austrália, Nova Zelândia, Argentina, Chile, Peru, Brasil, Equador, África do Sul e África Sub-Subsahariana vem acumulando casos.

“O grande desafio é a velocidade com que o novo coronavírus se espalha e gera pacientes graves", diz o estudo. Isso é fundamental para alinhar um plano de ação.

O ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, garante que o Sistema único de Saúde está capacitado para atender os casos. Ele esteve na Câmara dos Deputados para requisitar R$ 5,1 bilhões, verba que será destinada ao enfrentamento da doença.

Leia a íntegra do estudo do Instituto Pensi

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