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Os ex-ministros: Gustavo Bebianno, Ricardo Vélez e Santos Cruz.
Os ex-ministros: Gustavo Bebianno, Ricardo Vélez e Santos Cruz.| Foto: Valter Campanato/Marcelo Camargo/Marcello Casal Jr./Agência Brasil

O presidente Jair Bolsonaro demitiu três ministros nos primeiros cinco meses de governo. Gustavo Bebianno (Secretaria-geral da Presidência) foi o primeiro a cair, seguido por Ricardo Vélez Rodríguez (Educação) e o general Carlos Alberto dos Santos Cruz (Secretaria de Governo). Mas o que tem feito os ex-ministros nesse período pós-governo? A Gazeta do Povo entrevistou o trio, que falou sobre planos pessoais e avaliou o momento da gestão Bolsonaro.

Gustavo Bebianno: do Planalto para as eleições no Rio

“Eu tenho sido muito incentivado a trabalhar para uma candidatura à prefeitura porque o Rio de Janeiro está numa situação lastimável em todos os sentidos”, afirma Bebianno, possível candidato à Prefeitura do Rio de Janeiro, em 2020. Ele esteve em um período de “quarentena” pós-governo, imposto para autoridades que tiveram acesso a informações privilegiadas.

Aproveitou o tempo e se reuniu com lideranças políticas e empresários da cidade. “Para minha surpresa, o carinho que eu recebi aqui no Rio de Janeiro foi muito grande. Mesmo diante da forma covarde e desleal como eu fui tratado, jamais abri a boca para atacar o presidente ou o governo."

Demitido no dia 18 de fevereiro, ele só se desligou do PSL oficialmente em junho. Sem partido no momento, diz que já recebeu “acenos” do PSDB e DEM. O ex-ministro afirma que o governador de São Paulo, João Doria (PSDB), tem uma “visão muito diferenciada das coisas”. Ele acredita que o atual governador de São Paulo “no futuro poderá botar o Brasil num outro patamar”.

Também não poupa elogios ao presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ): “as reformas estão se materializando por causa do trabalho dele”. Para Bebianno, Maia é o responsável por apaziguar os problemas criados pelo próprio Palácio do Planalto.

Sobre o governo, é enfático em ressaltar a atuação do ministro da Economia, Paulo Guedes, como um grande acerto. E diz que a relação do presidente com as Forças Armadas “está arranhada de forma definitiva” pelo tratamento “inadequado” dispensado aos militares.

Advogado, Bebianno era um admirador de Bolsonaro, coordenou a campanha presidencial e foi presidente do partido entre março e outubro de 2018. A desavença com Carlos Bolsonaro, desde antes da posse abriu uma crise dentro do governo que culminou com a demissão de Bebianno.

Santos Cruz dedica tempo livre ao hipismo

General da reserva, Santos Cruz tem aproveitado o tempo livre com a família, praticado hipismo e ouvindo música. “Eu vou fazer as coisas que eu gosto, porque quando você está no governo você trabalha das oito da manhã às nove horas da noite todo dia, então praticamente abandona tudo aquilo que gosta."

Sobre uma possível candidatura a um cargo eletivo, diz que já recebeu propostas, mas por enquanto não considerou nenhuma. E evita falar sobre a gestão Bolsonaro: “Quando a gente sai de um governo que está em andamento não é bom fazer comentário, pode ser confundido que a pessoa ficou frustrada e chateada.” Sentimento que ele afirma não ter com relação ao governo.

O general foi atacado pelo escritor Olavo de Carvalho, ligado à ala ideológica do governo. Ele vê as substituições de ministros e servidores do primeiro escalão como normais, porém ressalta que “não precisam ter os escândalos que aconteceram, não só comigo, mas com outras pessoas”.

Leia mais: Tiro ao alvo: as mais de 30 cabeças derrubadas no governo Bolsonaro

Ricardo Vélez se prepara para voltar à universidade

O ex-ministro da Educação Ricardo Vélez voltou para Londrina (PR) e tem se preparado para voltar a lecionar na Universidade Positivo. Ele afirma que o retorno às salas de aula pode acontecer no próximo semestre ou no próximo ano.

Vélez teve uma gestão conturbada no MEC. Determinou, por exemplo, que alunos fossem filmados cantando o hino e que houvesse uma revisão do conteúdo dos livros didáticos sobre 1964.

“Eu entrei no governo porque me convidaram e porque estava disposto a fazer alguma coisa para o bem do país. Mas agora eu vejo que minha missão é continuar no ensino”, afirma o ex-ministro.

Vélez não comenta as ações do governo ou da pasta que comandou. “Meu pacto comigo mesmo é não falar nada [sobre o governo] para a imprensa”.

"Fator Carlos" pesou em demissões

Os três demitidos passaram por um processo de desgaste público antes de serem desligados oficialmente do governo. Bebianno e Santos Cruz foram atingidos nas redes sociais por um dos filhos do presidente, o vereador do Rio Carlos Bolsonaro.

Bebianno é também o mais enfático nas críticas aos filhos do presidente, principalmente a Carlos, que considera “uma pessoa que não tem equilíbrio emocional, muito desrespeitoso”.

O ex-chefe da Secretaria-Geral da Presidência diz não ser um opositor do governo e só fazer críticas baseado fatos que acontecem “como um brasileiro comum”. A possível indicação de Eduardo Bolsonaro para a embaixada nos Estados Unidos classifica como “absolutamente ridículo, porque é um rapaz que não tem nem experiência de vida, nem formação profissional”. Já Flávio estaria “cometendo suicídio político” pela condução do pedido de suspensão da investigação pelo Coaf.

Santos Cruz também enfrentou críticas da ala ideológica. Ele considera até mesmo termo “fritura” – processo de desgaste pelo qual alguns membros do governo passam antes de serem demitidos de fato – como “coisa do mais baixo nível”. O general deixou o governo em junho por “falta de alinhamento político-ideológico”.

Já Vélez, aluno de Olavo de Carvalho, acumulou uma série de decisões polêmicas na pasta. O escritor na época aconselhou seus alunos a abandonarem o governo, mas Vélez seguiu firme. No final de março, Bolsonaro disse que sofria “fake news diárias” sobre a possível demissão de Vélez. Pouco mais de uma semana depois o demitiu.

Trio diz estar "na torcida" por sucesso do governo

“Tenho amizade pelo presidente Bolsonaro, admiro muito a figura dele, é um grande presidente. Torço para que dê certo tudo que ele planejou. E a minha saída foi tranquila do Ministério, o cargo não é da pessoa, é do presidente”, diz Vélez sobre a exoneração.

Na mesma torcida pelo governo estão Santos Cruz e Bebianno. O general espera que o governo dê certo "pela expectativa da maioria que votou e em benefício de todos os brasileiros, principalmente dos mais necessitado”. Já Bebianno deseja “sorte ao presidente, ele é um ser humano como outro qualquer com virtudes e defeitos”.

Quem assumiu o comando das pastas?

Hoje o MEC está sob o comando de Abraham Weintraub. O general Floriano Peixoto Neto assumiu o lugar de Bebianno, mas deixou o cargo para assumir a presidência dos Correios, no lugar do também general Juarez Cunha.

Cunha foi demitido por Bolsonaro – que classificou seu comportamento como de “sindicalista” – após participar de uma audiência pública na Câmara. O novo ministro da secretaria-geral da Presidência é Jorge Antonio de Oliveira Francisco.

O novo ministro da Secretaria de Governo da Presidência da República, no lugar de Santos Cruz, é o general Luiz Eduardo Ramos Baptista Pereira. Ele ocupava a chefia do Comando Militar do Sudeste, com sede em São Paulo.

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