
Ouça este conteúdo
A defesa do ex-presidente do Banco de Brasília (BRB), Paulo Henrique Costa, comunicou ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça que seu cliente tem interesse em contribuir com as investigações do caso Master, "possivelmente por meio de colaboração premiada". O pedido é desta segunda-feira (27).
Para uma eventual delação, os advogados pedem que haja a transferência para uma unidade que possibilite o sigilo das comunicações entre defensor e possível colaborador. O Complexo Penitenciário da Papuda, nesse sentido, não atenderia à necessidade.
O documento traz ainda as condições para a celebração do acordo: "primeiro a voluntariedade do candidato a colaborador; segundo uma avaliação técnica quanto à possibilidade de eventuais relatos e fontes de prova atingirem patamares suficientes para referida candidatura; e terceiro uma tomada de decisão esclarecida do candidato tanto quanto aos requisitos legais, como quanto aos vetores que podem levar à perda do acordo".
Caso a proposta seja aceita, Costa teria sua pena reduzida em troca de informações que auxiliem nas investigações, como ocorreu no caso do tenente Coronel Mauro Cid nas ações sobre suposto golpe de Estado.
VEJA TAMBÉM:
Costa foi preso no dia 16 de abril, acusado de negociar o recebimento de propina em troca da facilitação da venda do banco Master pelo BRB. O relatório da Polícia Federal (PF) detalha a proposta de seis imóveis de luxo em São Paulo, avaliados em R$ 146 milhões. Os que teriam sido efetivamente pagos somam R$ 74,6 milhões.
A possibilidade de uma delação já era considerada desde que houve a troca da equipe de defesa. O advogado Cleber Lopes foi substituído pelo ex-ministro da Justiça durante o governo Dilma (PT) Eugênio Aragão e pelo criminalista Davi Tangerino, ambos especializados no acordo. A especialização, porém, não foi o único ponto considerado: Cleber é advogado do ex-governador do Distrito Federal Ibaneis Rocha (MDB), que pode acabar surgindo nas declarações, gerando um conflito de interesses.








