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Defende transparência

Fachin fala em “filhofobia” contra advogados filhos de ministros

Edson Fachin defende que ministros possam ter filhos advogados, mas defende transparência.
Edson Fachin defende que ministros possam ter filhos advogados, mas defende transparência. (Foto: Antonio Augusto/STF)

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O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF) e do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), ministro Edson Fachin, classificou como "filhofobia" especulações sobre filhos de ministros que são advogados. "Eu, por exemplo, tenho uma filha que é advogada", lembrou Fachin, em entrevista ao jornal O Estado de São Paulo divulgada nesta segunda-feira (26).

"Por que um filho deve mudar de profissão quando o pai vira juiz? Não precisa. Agora, precisa ter transparência. Faz o quê? Advoga onde? Em que termos? Em quais ações? Tudo isso tem que estar transparente", disse o ministro, defendendo que tal transparência esteja no código de ética para tribunais superiores, proposta que vem articulando com seus colegas de Corte.

A ideia, de acordo com Fachin, enfrenta resistência de alguns ministros, sob o argumento de que a conduta dos magistrados já é regulada pela Lei Orgânica da Magistratura. A norma obriga o magistrado a "manter conduta irrepreensível na vida pública e particular" e proíbe o juiz de "manifestar, por qualquer meio de comunicação, opinião sobre processo pendente de julgamento, seu ou de outrem, ou juízo depreciativo sobre despachos, votos ou sentenças, de órgãos judiciais, ressalvada a crítica nos autos e em obras técnicas ou no exercício do magistério".

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A maioria, porém, estaria de acordo com a ideia, apenas com a divergência de que não seria este o momento apropriado, em razão do período eleitoral. Fachin se inspirou na experiência alemã, durante viagem a Hamburgo em 2012, antes de ser indicado à Corte. Ao assumir a Presidência do STF e do CNJ, passou a defender publicamente a proposta.

"Quando tomei posse no STF, em 2015, eu já falava que, a longo prazo, haveria melhora da cultura interna do Tribunal. Veio a [operação] Lava Jato que, no fundo, com todos os seus erros, que não são poucos, e com seus acertos, que também houve, mostrou um fato inegável: houve corrupção. E grossa corrupção. E o que é a corrupção se não uma infração ética antes de um crime?", apontou Fachin.

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