
Ouça este conteúdo
A Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) colocou a imagem da bandeira do Brasil na fachada de sua sede, na Avenida Paulista, em São Paulo, nesta quarta-feira (2), em protesto após as novas revelações sobre a relação entre o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master.
Uma fonte ligada à Fiesp confirmou a informação à Gazeta do Povo e disse que a bandeira permanecerá no local por tempo indeterminado.
A manifestação ocorre um dia depois de o ministro André Mendonça, do STF, retirar o sigilo de documentos produzidos pela Polícia Federal (PF) a partir da análise do celular de Vorcaro.
O material reúne mensagens, registros de encontros e documentos relacionados à relação do empresário com Moraes e com o escritório de advocacia de Viviane Barci de Moraes, mulher do ministro.
Entre os elementos revelados pela investigação está uma minuta de contrato de aproximadamente R$ 131 milhões entre o Banco Master e o escritório de Viviane.
Segundo as informações analisadas pela PF, Moraes teria acessado o documento e feito alterações na minuta.
O contrato previa pagamentos mensais e, de acordo com a investigação, o escritório recebeu cerca de R$ 80 milhões antes da primeira prisão de Vorcaro, em novembro de 2025.
PF encontrou negociação de contrato de R$ 50 milhões
A PF também encontrou documentos que apontam para a negociação de um segundo contrato, no valor de R$ 50 milhões, entre Vorcaro e o escritório de Viviane.
A proposta previa R$ 40 milhões em honorários pagos mediante ativos relacionados a um jato executivo e a um helicóptero, além de R$ 10 milhões para despesas com voos.
O escritório afirmou à Gazeta do Povo que a proposta não foi aceita, que nenhum contrato foi assinado e que a instituição teve apenas uma contratação com o Banco Master.
Mensagens mostram contato antes da prisão de Vorcaro
As mensagens extraídas do celular de Vorcaro também mostram que o banqueiro procurou um contato atribuído a Moraes dois dias antes de sua prisão para perguntar se deveria “estar fora”.
A PF identificou ainda vestígios digitais que apontam para o envio de mensagens do empresário ao ministro, mesmo após Vorcaro adotar mecanismos para dificultar a recuperação das conversas.
Outro elemento que ganhou destaque foi a existência de cartões de crédito com limite de R$ 300 mil para cada um dos dois filhos de Moraes.
O escritório da família confirmou à Gazeta a emissão dos cartões, mas disse que os filhos de Moraes não os utilizaram.
As investigações também registraram mensagens nas quais Vorcaro demonstrava proximidade com o ministro e fazia referências a uma relação de “gratidão de vida”.
Revelações aumentam pressão política sobre Moraes
As revelações provocaram reações no Congresso e aumentaram a pressão política sobre Moraes.
Parlamentares da oposição apresentaram pedidos de afastamento e notícia-crime contra o ministro, alegando que os elementos reunidos pela PF justificam a apuração de possíveis crimes, entre eles tráfico de influência e obstrução de investigação.








