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Crime organizado

Flávio Bolsonaro diz que Lula parece ser “chefe do PCC” e cita presença de Dino na Maré

Senador criticou resistência governista a classificação do PCC e CV como organizações terroristas.
Senador criticou resistência governista a classificação do PCC e CV como organizações terroristas. (Foto: Octavio Guzmán/EFE)

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O senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) aproveitou um debate promovido pelo Grupo Voto nesta segunda-feira (8) para tecer críticas àquele que deve ser seu principal adversário na corrida ao Planalto: o presidente Lula (PT).

As críticas se voltaram para o tema da segurança pública, pelo que houve também a menção ao ex-ministro da Justiça e Segurança Pública e atual ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Flávio Dino. Para Flávio, Lula parece ser chefe do Primeiro Comando da Capital (PCC) por não concordar com a classificação deste grupo e do Comando Vermelho (CV) como grupos terroristas.

"É a maior oportunidade que nós temos de acabar com esse poder paralelo, que é o que eles são. Então não tem que ter tolerância, tem que ter unidade da nossa parte. Aí você olha para o presidente do Brasil e ele pensa o contrário, parece que ele é o chefe do PCC", declarou o senador.

A posição governista é de que incluir as facções no conceito de terrorismo pode favorecer uma intervenção do governo americano no Brasil, uma vez que os grupos passariam a ser problema de defesa nacional, não mais de segurança pública.

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Os Estados Unidos anunciaram a designação do PCC e do CV como organizações terroristas no dia 28 de maio, dois dias após a visita de Flávio ao presidente Donald Trump. A alteração gerou comemoração da campanha do senador e apreensão por parte do governo brasileiro. Por meio de uma nota, o governo brasileiro citou nominalmente a família Bolsonaro, além de falar em "falsos patriotas" que estariam minando a soberania nacional.

Logo depois, porém, o escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) sugeriu a aplicação de uma tarifa de 25% sobre produtos brasileiros, citando o Pix, decisões do Judiciário brasileiro e desvantagens competitivas.

Flávio chegou a dizer que pediu para Trump não taxar as empresas brasileiras, mas a militância digital da esquerda aproveitou o tema para cunhar o apelido "Tariflávio", atribuindo ao senador a responsabilidade pela alíquota.

Logo depois, o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro comparou o Pix ao Zelle, sistema de pagamentos automático dos Estados Unidos. Por ter sugerido colocar a comparação "na mesa de negociação", a fala foi utilizada para afirmar que a ideia da família Bolsonaro seria trocar o Pix pelo Zelle.

"Os Estados Unidos têm mecanismos muito semelhantes ao Pix, como, por exemplo, o Zelle, que é o Pix dos Estados Unidos. Aqui é o Zelle. Então, dá para você ir para uma mesa de negociação com os americanos", foi a fala de Eduardo.

Diante da repercussão e da atribuição da fala a uma intenção de acabar com o Pix, Eduardo veio a público para exigir que os veículos de imprensa se retratassem. Ao mesmo tempo, Flávio e outros políticos de direita passaram a investir no argumento de que o Pix seria obra do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL)..

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Dino no Complexo da Maré

Sobre Dino, Flávio relembrou da presença do então ministro da Justiça no Complexo da Maré, supostamente sem equipe de segurança. O ministro já abordou o tema durante suas presenças no Senado, negando que estivesse sem escolta. Em uma das oportunidades, ele disse que a afirmação é uma mentira que, de tanto ser repetida, acabou se confundindo com a verdade.

"O ministro da Justiça do Lula, chamado Flávio Dino, entra numa favela no Rio chamada Complexo da Maré, violentíssima, o berço do Comando Vermelho, ele entra sem policial, sem escolta. E ali você entra debaixo de muito tiro, dentro de um carro blindado, que é como a polícia faz, ou você tem autorização do tráfico para entrar. O que vocês acham que aconteceu ali?", foi a fala do filho mais velho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

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Lula no Complexo do Alemão

Além de Dino no Complexo da Maré, o senador lembrou que Lula teria feito campanha no Complexo do Alemão e que, ali, também "dispensou os policiais". Ele recordou vídeos que surgiram nas redes sociais logo após a vitória do petista em 2022, supostamente retratando comemorações em presídios após a divulgação dos resultados.

"Quando o próprio Lula vai fazer campanha dentro de uma outra favela no Rio, chamada Complexo do Alemão, outra área dominada pelo Comando Vermelho, ele está ali também, dispensou os policiais. Por que as cadeias ficaram em festa em 2022, quando o Lula foi declarado presidente da República?", questionou.

Por duas vezes, a Gazeta do Povo entrou em contato com o Planalto, com a assessoria de imprensa do Supremo e com o gabinete do ministro Flávio Dino. O espaço segue aberto para manifestação.

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