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Ataque

Gilmar chama Mendonça de “boneco de campanha” e defende Gonet

Ministro comparou atuação de Mendonça à da Lava Jato e reclamou de vídeo em colega agradece orações.
Ministro comparou atuação de Mendonça à da Lava Jato e reclamou de vídeo em colega agradece orações. (Foto: Gustavo Moreno/STF)

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O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Gilmar Mendes usou suas redes sociais para atacar o ministro André Mendonça e sair em defesa do procurador-geral da República, Paulo Gonet. Na postagem dessa quinta-feira (17), ele chamou o colega de Corte de "boneco de campanha", "pixuleco eleitoral" e repetiu críticas à Operação Lava Jato para acusar Mendonça de praticar "vingança".

Gilmar argumentou que Gonet teve "a honra injustamente manchada" com a decisão de levantar o sigilo do relatório sobre as relações entre Alexandre de Moraes e Daniel Vorcaro, em que é mencionado.

"Em plenário, o próprio relator reconheceu, em alto e bom som, a lisura da conduta de Gonet e admitiu que nada havia contra ele. Nada. Então por que expor? Quem atesta a honra de alguém só depois de tê-la arrastado pela praça pública não está corrigindo um erro: está confessando que ele era evitável", afirmou.

O decano faz referência à sessão conturbada de terça-feira (15), em que ambos discutiram justamente sobre as imputações contra o procurador-geral, a quem classifica como alguém de "reputação ilibada e vida pública de lisura insuspeita". Na ocasião, o relator do caso Master afirmou que foi a aparição de "Paulo e Andrei" em mensagens no celular de Vorcaro que motivou a busca pelo destinatário, chegando a Moraes. Mendonça alegou que o que foi encontrado “poderia ser um nada, mas poderia vir algo robusto".

Logo depois, o procurador-geral interpretou a manifestação como um reconhecimento de que não havia suspeitas contra ele. Gonet se disse feliz por Mendonça ter reconhecido que "não havia nada que pudesse induzir a alguma prática de ilícito por parte do procurador-geral da República".

Gilmar reclama de vídeo de Mendonça agradecendo apoio

Autor de uma questão de ordem que atrasou uma definição sobre Moraes, Gilmar reagiu negativamente a um vídeo de 28 segundos em que Mendonça agradece o apoio recebido:

"Meus irmãos e minhas irmãs, minha palavra se dirige a vocês essencialmente para agradecer tantas mensagens de oração e de carinho. Estejam certos que suas preces a Deus têm sido fundamentais para me sustentar e sustentar a minha família. Eu louvo a Deus por sua vida, grato pela generosidade e solidariedade que tenho recebido. Que Deus os abençoe e que Deus abençoe o nosso país".

Para Gilmar, Mendonça estaria "agradecendo o apoio popular". A fala, nesse sentido, deixaria "escancarada" a "intenção de lucrar politicamente" com a crise no Supremo.

"Apoio a quê, exatamente? A um ato que ele mesmo admitiu não ter fundamento contra a pessoa exposta? Quem age assim não é magistrado imparcial: é boneco de campanha, um pixuleco eleitoral", afirmou.

Decano cita Lava Jato

O magistrado trouxe à discussão uma de suas pautas mais frequentes: a crítica à Operação Lava Jato. Ele cita nominalmente o senador Sergio Moro (PL-PR), então juiz, e o ex-deputado federal Deltan Dallagnol (Novo), então procurador, para alegar que há um "vazamento seletivo" transformado em "método".

"A ideia era sempre criar o fato consumado antes da ação penal, colher os dividendos políticos e deixar a defesa correndo atrás de um julgamento que a opinião pública já havia feito. Linchamento coletivo serve para esvaziar o direito de defesa e enterrar a presunção de inocência", pontuou.

A comparação com a Lava Jato retoma uma crítica antiga de Gilmar. O ministro acumula acusações de que a operação promoveu a exposição pública de investigados, prisões prolongadas e vazamentos de informações sigilosas. Em 2021, votou para reconhecer a suspeição de Moro no processo do tríplex de Lula e, em 2024, afirmou que a Lava Jato havia causado “mal enorme às instituições”.

Comparação é usada para questionar data da decisão

Gilmar aponta que, na Lava Jato, os sigilos "caíam a poucas semanas das eleições", o que seria compatível com o episódio atual. Mendonça levantou o sigilo no dia 1º de setembro, há uma semana do feriado da Independência. Para o decano, o timing reforçaria a intenção de "inflar as ruas, arrancar dividendos políticos, sujar reputações e intimidar quem se opõe a esse método".

Com a comparação, o ministro afirma que o objetivo seria minar o direito de defesa de opositores e praticar "algo que se parece muito mais com vingança do que com Justiça".

Gilmar termina dizendo que "instituição séria respeita o devido processo desde o primeiro ato" e prestando solidariedade a Paulo Gonet.

"O Brasil e as instituições são devedores da coragem, da seriedade e da correção de homens como ele", conclui.

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