O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Gilmar Mendes exaltou as manifestações da esquerda deste domingo (21). O magistrado disse tê-las entendido como um recado pela construção de um “pacto nacional” dos poderes, que é como tem sido chamado o “PL da dosimetria”, em substituição PL da anistia”, por seus idealizadores.
“Precisamos transformar essa energia democrática em um grande pacto nacional entre o Executivo, o Legislativo e o Judiciário, comprometido com uma agenda de reconstrução e de futuro”, declarou Mendes em sua conta no X.
A esquerda organizou uma série de manifestações nas principais capitais do país contra o PL da Anistia e a PEC da Imunidade. O protesto teve o apoio de cantores e artistas no movimento, que mira impedir a votação da anistia no Congresso Nacional. Nas entrelinhas, Mendes sugere que elas seriam uma oportunidade de substituir a anistia pela dosimetria em nome “do futuro”.
O PL da anistia, que tinha como foco anistiar condenados pela suposta tentativa de golpe de Estado foi transformado em “PL da dosimetria” no Congresso Nacional com a ajuda do relator da proposta, deputado Paulinho da Força (Solidariedade-SP), que é próximo de Gilmar Mendes.
De acordo com a nova proposta que passa a ser articulada, em um processo que envolveu o STF, todos os condenados pelo 8 de Janeiro seriam beneficiados por uma redução de pena – e não mais uma anistia. O deputado tem dito que a redução das penas tem a capacidade de “pacificar o país”. A proposta tem forte resistência de líderes da direita, que defendem uma anistia “ampla, geral e irrestrita”, que contraria o STF.
Relator do PL que promete substituir anistia busca consenso entre PT, PL e Centrão
O deputado Paulinho da Força inicia nesta segunda-feira (22) uma rodada de reuniões com diferentes bancadas da Câmara em busca de consenso para o texto que deve ser votado ainda nesta semana. Estão previstos encontros separados com representantes do PL, partido do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), do PP e do PT.
A expectativa do próprio Paulinho é para que até a terça-feira (23) deve ampliar o diálogo, recebendo presidentes de centrais sindicais e, em seguida, líderes de partidos como PL, Republicanos, PDT e União Brasil. O objetivo, segundo ele, é apresentar um texto que reflita “o desejo da maioria” e contribua para a “pacificação”.
Apesar da previsão de votação na quarta, há pressão de oposicionistas para adiar a análise em uma semana. A principal dificuldade do relator tem sido resistir às cobranças de partidos que defendem a inclusão de medidas que beneficiem diretamente Jair Bolsonaro. Paulinho tem reiterado que não atenderá a esse pedido; “Quem pode ajudar Bolsonaro são os advogados dele, e não eu”, afirmou.
O projeto, apelidado pelo relator de “PL da Dosimetria” para se desvincular da ideia de “PL da Anistia”, deve propor a redução de penas atualmente aplicadas a crimes como tentativa de golpe de Estado (hoje de quatro a 12 anos de prisão), abolição violenta do Estado Democrático de Direito (quatro a oito anos) e deterioração de patrimônio público.
Se aprovadas, as alterações podem beneficiar também condenados em processos já julgados, uma vez que a lei penal retroage em favor dos réus. A aplicação, no entanto, dependerá de solicitação das defesas e decisão judicial — no caso dos atos do 8 de Janeiro, do Supremo Tribunal Federal.
Entre os já condenados pelo STF estão Bolsonaro, seus ex-ministros Braga Netto, Paulo Sérgio Nogueira, Anderson Torres e Augusto Heleno, além do ex-comandante da Marinha Almir Garnier e do tenente-coronel Mauro Cid. Eles foram responsabilizados por crimes como tentativa de golpe de Estado, abolição violenta do Estado Democrático de Direito, organização criminosa, dano qualificado e deterioração de patrimônio tombado.
O deputado Alexandre Ramagem (PL-RJ) também foi condenado pelos três primeiros crimes. Bolsonaro recebeu a pena mais alta de 27 anos e 3 meses de prisão. Na semana passada, o texto foi discutido em um encontro na casa do ex-presidente Michel Temer (MDB), em São Paulo, que contou com a presença de Paulinho, de Aécio Neves (PSDB-MG) e do presidente da Câmara, que participou de forma remota.
Aécio destacou o caráter "centrista" da proposta em suas redes sociais. "O fato de o PL e o PT estarem criticando demonstra o grande acerto desse caminho. Pela primeira vez o centro está no jogo para propor um caminho, que não agrada nenhum dos extremos", escreveu ele no X.
Trump anuncia que EUA vão governar Venezuela até novo presidente assumir
Foto de Maduro capturado, preso e vendado entrará para a história
Opositora Maria Corina comemora ataque dos EUA à Venezuela: “chegou a hora da liberdade”
5 vezes em que os EUA capturaram ditadores (e um terrorista) em solo estrangeiro