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O ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), afirmou nesta quarta-feira (19) que uma eventual vitória de candidatos favoráveis ao impeachment de ministros da Corte não significa que os processos serão aprovados no Senado. Para o decano, existe uma grande distância entre defender a medida durante a campanha e conseguir colocá-la em prática.
Mendes disse que o impeachment virou uma bandeira com apelo eleitoral, mas não demonstrou preocupação com o crescimento da pauta entre candidatos.
“Se alguém com essa bandeira se tornar senador, terá imensas dificuldades de implementá-la. Todo o aparato institucional caminhará talvez num outro sentido”, afirmou a jornalistas após um evento em Brasília.
A estratégia é uma das principais bandeiras da direita para as eleições de 2026 e tem o apoio principalmente de candidatos como o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e o ex-governador mineiro Romeu Zema (Novo-MG). O objetivo é eleger uma maioria capaz de escolher o presidente do Senado e tirar da gaveta pedidos de impeachment contra ministros do Supremo.
Entre os ministros considerados alvos dos candidatos está principalmente Alexandre de Moraes, por conta de decisões que atingiram diretamente o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) por sua relatoria no caso da suposta tentativa de golpe de Estado após as eleições de 2022. Bolsonaro foi condenado a 27 anos e três meses de prisão por supostamente liderar o plano.
Neste ano, os eleitores brasileiros escolherão 54 dos 81 senadores, dois por estado. Para retirar um ministro do STF do cargo por impeachment, são necessários 54 votos, exatamente o número de cadeiras que estará em disputa.
Questionado sobre a possibilidade de mudança de cenário caso Flávio Bolsonaro seja eleito presidente, Mendes preferiu não fazer projeções.
“Não avalio. Não imagino e também não vou trabalhar sobre cenários neste momento”, afirmou.
As falas foram feitas no mesmo dia em que a campanha de Romeu Zema divulgou o décimo episódio da série “Os Intocáveis”, que faz uma sátira aos ministros da Corte e que, na nova produção, também fala da possibilidade de impeachment de magistrados.
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Durante a conversa, o ministro também defendeu Moraes em relação à operação contra a fonte de um jornalista do Maranhão que denunciou o uso de veículos oficiais do Tribunal de Justiça do estado pelo colega Flávio Dino e seus familiares. Para Mendes, buscas podem ser determinadas contra profissionais da imprensa quando houver indícios fortes de crimes.
Sobre o sistema eleitoral, o decano afirmou não esperar uma ofensiva dos Estados Unidos contra as eleições brasileiras. Para ele, o Brasil “tem uma democracia sólida”, defendendo a atuação da Justiça Eleitoral para preservar a confiança nas urnas eletrônicas.








