A crise de Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro sacudiu a direita. Mas as pesquisas revelam um paradoxo: quem está sustentando Flávio não são seus próprios méritos, mas a rejeição gigantesca ao petismo. O novo episódio do Ouça Essa debate as perspectivas para uma eleição que deve ser decidida não pelo amor a ninguém, mas pela rejeição consolidada a Lula.
Se o candidato à reeleição tivesse uma biografia minimamente decente, sem o mensalão, sem o petrolão, sem irmão e filho enrolados na fraude do INSS, a situação de Flávio estaria bem mais complicada, devido às conversas descabidas com Daniel Vorcaro. Mas o adversário se chama Luiz Inácio Lula da Silva, um ex-presidiário condenado em três instâncias, e que passou 580 dias na cadeia. E que insiste numa ideologia esquerdista radical, que desagrada à maioria dos brasileiros.
Segundo levantamento da AtlasIntel, Lula e Flávio aparecem com índices de rejeição muito próximos. O eleitor brasileiro, pelo jeito, votará mais contra alguém do que a favor de um determinado candidato. Lula, por sua vez, vai tentar tudo para pintar o adversário com as piores cores que já sujam sua própria roupa.
Eleitor enxerga crise de Flávio, mas não iguala os candidatos
Não é que o eleitor de direita não veja as manchas nas roupas de Flávio: é que ele vê Lula com vestimentas sujas da cabeça aos pés. O ditado do sujo falando do mal lavado ganhou nova versão: mal lavado contra o imundo. E, neste caso, não é tudo igual.
Por enquanto, não há crime no comportamento imprudente de Flávio. Se foi mesmo apenas um filho pedindo patrocínio para o filme sobre o pai injustiçado - ainda que batendo na porta errada - a crise poderá ser superada, com explicações mais ou menos convincentes. Mas há uma percepção generalizada de que a boa vontade está por um fio, e, neste cenário, Flávio não pode errar mais.
Lula é um peso-pesado grogue e com as pernas bambas. Até um peso-pena pode derrubá-lo nessas condições. Poderá virar o jogo, contudo, se o oponente acabar se revelando, ele também, um boxeador seminocauteado.
Se Flávio vai derrubar o petista combalido, ou se surgirá outro nome, saberemos nas próximas semanas. O fato é que o ativo mais precioso da oposição hoje não é um nome, mas o tamanho da rejeição a Lula. E tanto Flávio como seu mentor, o ex-presidente Jair Bolsonaro, deveriam saber que esse ativo não pode ser desperdiçado com um candidato igualmente inviável. Não dá para descer mais um degrau nesse jogo. A rejeição de Lula vai segurando Flávio. E Lula conta com a rejeição de Flávio para se reeleger. Assim é o Brasil.




