Manifestantes exibem faixa em defesa de intervenção militar durante protesto: a democracia deixada de lado.| Foto: Aniele Nascimento/Gazeta do Povo

A democracia é o regime de governo preferido pela maioria dos cidadãos paulistanos. De acordo com os dados do Índice de Democracia Local (IDL), do Instituto Sivis, 37,5% dos entrevistados concordam totalmente que o regime é preferível a qualquer outro. Outros 31,8% disseram concordar em parte com a afirmação.

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O relatório elaborado pelo Instituto Sivis a partir dos dados, porém, aponta que "somente a expressão de apoio formal ao regime democrático não é suficiente para avaliar quão democratas os cidadãos realmente são. Para essa tarefa, é necessário avaliar a atitude dos indivíduos perante a democracia quando confrontados com questões mais concretas".

E, quando perguntados de forma indireta a respeito do tema, parte importante dos entrevistados acaba por relativizar seus princípios democráticos.

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Democratas instrumentais acendem sinal de alerta

Entre os que dizem preferir o regime, 52,8% não discordam totalmente da ideia de que, em uma situação difícil, não importa que o governo passe por cima das leis, do Congresso e das instituições, com o objetivo de resolver problemas.

"É importante fazer essa pergunta indiretamente porque a própria palavra 'democracia' tem uma conotação bastante difusa. Dificilmente uma pessoa vai se sentir confortável em criticar o regime diretamente", explica Diego Moraes, pesquisador do Instituto Sivis.

O estudo aponta que esses cidadãos são os chamados "democratas instrumentais" – aqueles que dizem aderir à democracia, mas só sustentam o posicionamento até certo ponto. "Entre os entrevistados, 47,2% são democratas sólidos, ou seja, aqueles que levariam o regime até as últimas consequências, se preciso. Esse dado é um sinal de alerta", afirma o pesquisador.

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Como funciona o IDL

Lançado na última quinta-feira (5), o Índice de Democracia Local (IDL) é uma metodologia criada pelo Instituto Sivis. O objetivo é mensurar os níveis de democracia nas cidades brasileiras. Por enquanto, o IDL já foi aplicado em Curitiba, em 2018, e em São Paulo (com algumas mudanças metodológicas, o que não permite a comparação entre os resultados das duas localidades).

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A intenção do Sivis é, a partir de agora, angariar recursos para fazer a aplicação do índice em todas as capitais do país.

Confira o relatório completo com os resultados do IDL para São Paulo:

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