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Investigação da Lava Jato contra Eduardo Cunha chega às mãos de Mendonça

Processo voltou ao âmbito federal após mudança de entendimento do Supremo sobre foro privilegiado.
Processo voltou ao âmbito federal após mudança de entendimento do Supremo sobre foro privilegiado. (Foto: Rosinei Coutinho/STF)

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Uma investigação da operação Lava Jato contra o ex-presidente da Câmara dos Deputados Eduardo Cunha (Republicanos) foi distribuída nesta quinta-feira (17) ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça.

As apurações apontam para Cunha como o destinatário final de propina em um esquema envolvendo contratos na Furnas Centrais Elétricas. De acordo com uma delação premiada do doleiro Lúcio Funaro, Katz negociava e recebia a propina. Cunha, por sua vez, distribuiria os valores entre seu grupo político.

Funaro também afirmou que houve uma retaliação à empresa Engevix Engenharia por não ter pago o que foi exigido. O ex-parlamentar teria passado a atuar contra os interesses da empresa em suas áreas de influência. A Engevix possuía contratos que somavam R$ 177 milhões com Furnas.

Em outra delação de 2016, o empreiteiro José Antunes Sobrinho, então sócio da Engevix afirmou que a empresa teria se beneficiado com novos negócios com Furnas após pagar R$ 1 milhão a Cunha e R$ 2,5 milhões ao PL, à época chamado PR.

Na ocasião, o ex-deputado negou as acusações, desmentindo-as "com veemência" e desafiando "qualquer um a provar que esteve com essas pessoas".

Os documentos falam em uma ordem de Katz para enviar US$ 2 milhões da Odebrecht e US$ 650 mil de outros clientes para as Ilhas Cayman por meio de "dólar-cabo", um sistema clandestino de compensação financeira usado para enviar ou receber dinheiro do exterior sem passar pelo controle oficial do Banco Central (BC).

Nos últimos anos, o STF anulou decisões e provas de diferentes processos derivados da Lava Jato. Em 2021, a Corte confirmou a anulação das condenações de Luiz Inácio Lula da Silva ao considerar a 13ª Vara Federal de Curitiba incompetente para os casos e também manteve o reconhecimento da suspeição do então juiz Sergio Moro no processo do triplex. Em 2023, o ministro Dias Toffoli declarou imprestáveis, com efeitos gerais, provas obtidas a partir dos sistemas Drousys e My Web Day B, usados no acordo de leniência da Odebrecht.

Caso passou da Lava Jato ao MP Estadual, que remeteu ao STF

Os relatos sobre a atuação de Cunha e Katz levaram a força-tarefa da Lava Jato no Rio de Janeiro a instaurar, em 2019, uma nova frente para aprofundar as suspeitas relacionadas a Furnas.

Em julho de 2022, o procurador Rodrigo Golívio Pereira declinou da investigação por entender que, por envolver Furnas, uma sociedade de economia mista, não havia interesse da União que justificasse a competência da Justiça Federal. O caso acabou encaminhado ao Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ).

Em maio de 2026, o juiz Renan de Freitas Ongaratto analisou a questão à luz do novo entendimento do Supremo sobre foro privilegiado. Como os fatos atribuídos a Cunha teriam ocorrido durante o exercício do mandato de deputado federal, o magistrado declinou da competência e determinou a remessa ao STF. O caso chegou à Corte em 28 de agosto.

A Gazeta do Povo entrou em contato com a defesa de Eduardo Cunha. Não conseguimos contato com Benjamin Katz. O espaço segue aberto para manifestação.

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