Publicidade
Retorno

Jato que levou Flávio a Miami volta a Buenos Aires sem entrar no espaço aéreo brasileiro

Aeronave deixou o senador em aeroporto executivo e retornou pelo mesmo trajeto, passando pelo Equador.
Aeronave deixou o senador em aeroporto executivo e retornou pelo mesmo trajeto, passando pelo Equador. (Foto: Reprodução/adsb.lo)

Ouça este conteúdo

O jato Gulfstream G400 LV-JQW, que levou o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) de Puerto Iguazú, na Argentina, até Miami, retornou à sua principal base operacional, em Buenos Aires, na manhã desta quinta-feira (29). A rota teve as mesmas características da utilizada pela viagem de ida: passou por Guayaquil, no Equador, e não entrou no espaço aéreo brasileiro.

Após deixar Flávio no aeroporto executivo de Opa-Locka, por volta das 10h13, a aeronave foi para o aeroporto executivo de Fort Lauderdale, em uma trajetória de menos de 20 minutos. O jato permaneceu no local até as 20h55, quando partiu para Guayaquil, local em que fez uma parada de cerca de meia hora, até voar para o Aeroparque Jorge Newbery, local em que pousou por volta das 07h22.

O avião esteve no Rio de Janeiro, local de nascimento e reduto eleitoral inicial da família Bolsonaro, em 2 de outubro, há dois dias do primeiro turno, e em 20 de outubro, há cinco dias do segundo turno.

Durante todo o domingo do segundo turno, o jato ficou em Buenos Aires. Só na noite seguinte ao pleito é que haveria o deslocamento para Puerto Iguazú, de onde Flávio embarcaria para Guayaquil, no Equador, e depois para Miami. O deslocamento ocorreu cerca de 11 horas depois da intimação do senador.

O manifesto mostra que o senador utilizou o passaporte italiano para o deslocamento, enquanto sua esposa e filhas utilizaram passaportes brasileiros. Nos Estados Unidos, ingressou com o passaporte diplomático, documento que já havia sido cancelado por ordem do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes.

Intimação de Moraes e saída do país

Apoiadores têm criticado a caracterização da viagem como fuga. Eles argumentam que o senador não possui nenhum mandado de prisão em aberto, apesar de ter desobedecido a ordem para entrega dos passaportes.

O inquérito apura as relações entre Flávio e o advogado Willer Tomaz, investigado pela Polícia Federal (PF) por suspeita de lavagem de dinheiro por meio de empresas ligadas ao setor de apostas, as bets. Documentos obtidos na investigação apontam que o advogado movimentou cerca de R$ 5 bilhões em apostas em 2025, tendo sido o maior apostador pessoa física do país naquele ano. Ele nega quaisquer irregularidades e diz que os recursos têm origem lícita.

A investigação alcançou o senador depois que a PF encontrou registros de contatos e encontros entre os dois, viagens internacionais e documentos que, na avaliação dos investigadores, indicariam que Flávio teve acesso como “usuário master” a uma conta da Alcazar Holdings, empresa de Tomaz registrada na Ilha da Madeira. Uma holding ligada ao advogado também teria custeado viagens do parlamentar e de sua família.

Flávio e Tomaz negam manter negócios em conjunto. A defesa do advogado divulgou posteriormente documento atribuído ao Santander segundo o qual Flávio nunca figurou como usuário master da conta, contestando a interpretação adotada pela investigação.

Na sexta-feira (23), antes do último debate presidencial, Moraes determinou medidas contra Tomaz, incluindo bloqueio de bens e valores. No domingo (25), a Polícia Federal pediu ao STF a adoção de cautelares contra Flávio após, segundo a corporação, identificar risco de saída do país.

Na manhã seguinte, o senador foi intimado a entregar os passaportes e ficou proibido de deixar o Brasil. Ao comentar a decisão, Flávio afirmou que Moraes havia levado em conta a declaração de Eduardo Bolsonaro feita dois dias antes da eleição, na qual o ex-deputado defendia exatamente a hipótese que depois se concretizou: que o irmão deixasse o país em caso de derrota.

Use este espaço apenas para a comunicação de erros

Principais Manchetes

Receba nossas notícias NO CELULAR

WhatsappTelegram

WHATSAPP: As regras de privacidade dos grupos são definidas pelo WhatsApp. Ao entrar, seu número pode ser visto por outros integrantes do grupo.