Justiça condena jornal e jornalista por matéria sobre vencimentos. Dados são divulgados por ordem do CNJ.| Foto: Lucas Castor/Agência CNJ
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O Tribunal de Justiça do Estado do Rio Grande do Sul condenou a colunista de política Rosane Oliveira e o jornal Zero Hora, do Grupo RBS, a pagar R$ 600 mil à desembargadora Iris Medeiros Nogueira, ex-presidente do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul, por danos morais. A decisão aponta que reportagens publicadas associaram a magistrada a um "suposto privilégio imoral ou injustificado" ao divulgar sua remuneração.

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Em 2023, Zero Hora publicou um ranking dos maiores salários do Judiciário gaúcho. Iris apareceu no topo da lista, com vencimentos de R$ 662.389,16 em abril daquele ano — quase 16 vezes o salário de um ministro do Supremo Tribunal Federal na época, teto constitucional para o funcionalismo.

A juíza Karen Rick Bertoncello, da 13.ª Vara Cível de Porto Alegre, considerou que, embora as informações fossem públicas e verdadeiras, a forma como foram apresentadas, com “linguagem sarcástica e direcionada”, causou prejuízo à imagem e à honra da desembargadora, configurando abuso de direito. 

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Em nota, o Grupo RBS informou que vai recorrer da sentença. “Reafirmamos a defesa da liberdade de expressão e informação como princípios fundamentais da democracia, em especial na divulgação de conteúdo amparado no interesse público, a partir de informações disponíveis pela Lei de Acesso à Informação”, diz o veículo de imprensa. 

Desde 2015, os tribunais são obrigados a divulgar a remuneração dos magistrados. As informações sobre os vencimentos de juízes e desembargadores são públicas e podem ser consultadas por meio de um site mantido pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ), órgão que administra e fiscaliza o Poder Judiciário.