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Alvo de apuração

Juiz que bebeu e fumou durante sessão chama Moraes e tribunais de “corruptos”

Milton Lívio Lemos Salles é alvo de apuração interna no TJMG. Magistrado diz que conhece casos de corrupção na Corte.
Milton Lívio Lemos Salles é alvo de apuração interna no TJMG. Magistrado diz que conhece casos de corrupção na Corte. (Foto: Juarez Rodrigues/TJMG)

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O juiz Milton Lívio Lemos Salles, que foi afastado do Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG) por ter sido flagrado fumando e bebendo vinho durante uma sessão remota, divulgou um vídeo reagindo à repercussão do episódio. Nele, o magistrado chama o Supremo Tribunal Federal (STF), o Superior Tribunal de Justiça (STJ), o ministro Alexandre de Moraes e o próprio TJMG de "corruptos".

"Esse Tribunal de Justiça de Minas Gerais, esse STJ, o STF, o Alexandre de Moraes, são todos uns corruptos. Falo isso com conhecimento de causa. Olha, tô cansado, muito cansado", diz o magistrado. Logo em seguida, ele cita o nome de colegas de tribunal, incluindo o atual presidente, desembargador Vicente de Oliveira Silva, e os ex-presidentes Luiz Carlos de Azevedo Corrêa Júnior, Gilson Soares Lemes e Nelson Missias de Morais.

"Tô no Rio tomando meu café e curtindo minha mulher. Sei de muita coisa desse tribunal, sei de corrupção do Nelson Messias, do Gilson Lemes, do Luís Carlos, do Vicente, da compra de mais de 170 Corollas híbridos", afirma.

A compra citada pelo magistrado ocorreu em 2025. O TJMG contratou 179 SUVs Toyota Corolla Cross híbridos por R$ 38,48 milhões para renovar sua frota institucional. A aquisição foi realizada por meio de licitação. Salles não apresenta, no vídeo, elementos que comprovem a acusação de corrupção relacionada ao negócio.

"O tribunal não existe hoje, só existe computador e os prédios vazios custando luz, energia e funcionários. Eu tenho coragem de bater no peito", completa.

Filho de desembargador, juiz já condenou "maníaco dos dentistas" e ex-presidente da Câmara de BH

Milton é filho do desembargador aposentado Tibagy Salles de Oliveira, que presidiu o extinto Tribunal de Alçada de Minas Gerais. O órgão funcionava como instância recursal para matérias específicas e teve suas competências posteriormente incorporadas ao Tribunal de Justiça de Minas Gerais.

Em 2010, Milton condenou o "maníaco dos dentistas" a 82 anos de prisão por roubar e estuprar oito mulheres em Belo Horizonte. Em 2022, condenou o ex-presidente da Câmara Municipal de Belo Horizonte Wellington Magalhães a 31 anos e 6 meses por lavagem de dinheiro, obstrução à Justiça e falsidade documental.

No ano seguinte, classificou o pastor Moisés Barbosa Ferreira Costa como "astuto e perigoso" ao torná-lo réu pela acusação de estupro de vulnerável. O religioso de 34 anos coordenava o Fórum de Enfrentamento à Violência Sexual Contra Crianças e Adolescentes de Minas Gerais (Fevcamg).

"Não pode ser outra a conclusão no caso em apreço (manutenção da prisão preventiva), notadamente quando existe a notícia de que o acusado é pessoa astuta e perigosa. Disso também decorre a convicção de que o acusado possivelmente intentará contra a integridade física de outras vítimas, tudo no afã de sustentar sua lascívia", escreveu na decisão.

Mais recentemente, em 2024, o magistrado absolveu um homem de 42 anos acusado de perseguir e ameaçar a jornalista Mônica Fonseca, apresentadora da RecordTV Minas. A decisão reconheceu a existência de doença mental no réu, o que impede a punição, e determinou sua internação em hospital de custódia por pelo menos dois anos.

A Gazeta do Povo entrou em contato com as assessorias do STJ, do STF, do TJMG e com os gabinetes de Alexandre de Moraes e de todos os desembargadores citados. O espaço segue aberto para manifestação.

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