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Para entender

Justiça das Ilhas Cayman liquida holding que escondia patrimônio de Daniel Vorcaro

Daniel Vorcaro, dono do liquidado Banco Master e alvo de investigação por fraude financeira. (Foto: reprodução/Youtube Esfera Brasil)

A Titan Capital, holding sediada nas Ilhas Cayman e ligada ao controlador do Banco Master, Daniel Vorcaro, foi formalmente liquidada por decisão judicial. A medida, tomada após investigações da Polícia Federal e do Coaf, encerra as atividades da chamada "holding ostentação" e abre caminho para que a Interpol rastreie ativos do ex-banqueiro em paraísos fiscais ao redor do mundo.

Qual é o impacto prático da liquidação da Titan Capital para as investigações?

A liquidação definitiva da empresa pela Suprema Corte das Ilhas Cayman retira dos antigos controladores e diretores qualquer poder de gestão sobre contas bancárias e bens. Agora, o controle passa para liquidantes nomeados pela justiça, que são auditores especializados. Eles têm a missão de rastrear transferências feitas antes dos bloqueios e vender propriedades para pagar dívidas com credores. Esse movimento facilita que outros países quebrem sigilos bancários e colaborem com a varredura internacional iniciada pelas autoridades brasileiras contra o ex-banqueiro.

Como a holding era utilizada no esquema relacionado ao Banco Master?

Investigadores da Polícia Federal e do Coaf identificaram que a Titan Capital não era apenas um cofre de investimentos pessoais, mas a peça central de um esvaziamento patrimonial planejado. Entre janeiro e julho de 2025, o órgão de inteligência financeira detectou repasses de aproximadamente R$ 700 milhões do Banco Master para a holding nas Ilhas Cayman. Essas movimentações ocorreram meses antes da quebra da instituição financeira e da prisão de Vorcaro, sugerindo uma tentativa deliberada de ocultar valores da justiça brasileira enviando o dinheiro para o exterior.

Quem são os principais credores que aguardam o pagamento dos ativos liquidados?

Na fila para receber os valores recuperados está uma das maiores empresas de criptomoedas do mundo, que cobra um empréstimo de R$ 1,5 bilhão. Outro credor relevante é o Grupo Fictor, que teria transferido R$ 30 milhões à holding após o Banco Central vetar a venda do Master para o banco BRB. A Titan concentrava participações em cerca de 30 negócios diferentes, incluindo mineradoras, empresas de energia e até restaurantes de luxo. A maioria dessas empresas já está em processo de fechamento para que os bens sejam vendidos e os recursos devolvidos a quem tem direito.

De que forma a Interpol e a justiça internacional estão atuando no caso?

A Polícia Federal acionou a Interpol utilizando o mecanismo Silver Notice, ou Alerta Prata, criado para localizar bens de pessoas investigadas por crimes financeiros. Esse alerta pede que governos da Europa e América do Norte identifiquem imóveis, aeronaves, embarcações ou empresas em nome de Vorcaro ou laranjas. Paralelamente, a justiça dos Estados Unidos já autorizou buscas em bancos norte-americanos por recursos e obras de arte. O objetivo é impedir que o patrimônio seja blindado ou transferido para terceiros enquanto os processos por fraude e corrupção avançam no Brasil.

Conteúdo produzido a partir de informações apuradas pela equipe de repórteres da Gazeta do Povo. Para acessar a informação na íntegra e se aprofundar sobre o tema leia a reportagem abaixo.

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