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Médico atende um paciente com coronavírus.| Foto: AFP

Autoridades do governo e associações de médicos têm repetido, nas últimas semanas, a mensagem de que a sobrecarga dos leitos de UTI (Unidade de Terapia Intensiva) é um dos maiores riscos relacionados ao coronavírus. A letalidade da doença não é considerada baixa, e pode ser ainda maior se o número de casos graves no Brasil chegar a um nível que supere a quantidade de leitos disponíveis para atendê-los.

Até a quinta-feira (19), com 428 casos confirmados da Covid-19, o Brasil não tem enfrentado grandes dificuldades em atender os casos graves. Mas esse quadro deve mudar em breve, segundo o ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, que afirmou que entre abril e junho o país deverá enfrentar “60 a 90 dias de muito estresse” em seu sistema de saúde.

O exemplo da Itália, onde autoridades já afirmaram publicamente que alguns hospitais estão à beira do colapso, mostra o tipo de situação que o Brasil poderá vivenciar dentro de algumas semanas. O Ministério da Saúde tem tentado, às pressas, aumentar o número de leitos de UTI disponíveis, especialmente nos estados mais afetados até agora.

Brasil tem 55 mil leitos de UTI, mas 78% estão ocupados

Segundo o Ministério da Saúde, o Brasil tem uma oferta de 55.101 leitos de terapia intensiva, dos quais 27.445 são do SUS, mas 78% do total de leitos já estão ocupados. O Ministério quer otimizar a utilização das unidades ociosas e também pretende recorrer ao uso de leitos não ocupados da rede privada.

A OMS (Organização Mundial da Saúde) recomenda a existência de 1 a 3 leitos de UTI para cada 10 mil habitantes. Hoje, o Brasil tem 2,6 leitos de UTI para cada 10 mil habitantes, mas só metade disso pertence ao SUS.

Novos leitos já estão sendo distribuídos para os estados

O Ministério da Saúde anunciou que 540 leitos chegarão até o final da semana que vem às unidades federativas mais afetadas pela crise do coronavírus. Até o próximo domingo, a pasta espera que 200 novos leitos já estejam instalados em quatro estados: São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Rio Grande do Sul. Ao longo da semana que vem, o governo mandará os outros 340 leitos para diversos estados.

Segundo o Ministério, os novos leitos de UTI são de instalação rápida e não requerem grandes mudanças na estrutura dos hospitais, que poderão instalá-los em espaços físicos provisórios. Os leitos possuem equipamentos como ventilador pulmonar e desfibrilador bifásico. A montagem dura de sete a dez dias. Os próprios governos estaduais serão responsáveis por definir onde instalar os leitos.

O gasto com a locação dos novos leitos de UTI será de R$ 396 milhões. A manutenção do serviço, caso todos os leitos forem usados, custará R$ 260 milhões para um período de seis meses.

Disparidade entre regiões também preocupa

Outro problema que o governo brasileiro deverá enfrentar é a disparidade entre os estados e regiões e a existência de “desertos” na distribuição geográfica das UTIs.

Segundo Ederlon Rezende, membro do conselho consultivo da Associação de Medicina Intensiva Brasileira (Amib), haverá o desafio de equilibrar bem a distribuição de novos leitos, para que nenhuma região fique mal atendida.

"Vai precisar de mais leitos quem tem maior déficit e quem está nas regiões ou cidades com maior aumento de demanda. O Ministério da Saúde tem assumido o controle da decisão de abertura de novos leitos de maneira estratégica”, diz ele.

Há também a possibilidade de que o coronavírus comece a atingir localidades muito afastadas de centros urbanos, especialmente nas regiões Norte e Nordeste. Isso significaria uma dificuldade adicional para o governo, já que muitas dessas localidades estão distantes de UTIs.

Mas, ao menos por enquanto, segundo Rezende, esse não tem sido um problema. Os lugares mais afetados, até o momento, são os grandes centros, principalmente São Paulo e Rio de Janeiro.

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