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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) criticou duramente o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), nesta terça-feira (2), ao atribuir a ele a nova taxação de 25% sugerida pelos Estados Unidos ao país como parte de uma investigação de supostas práticas comerciais irregulares aos norte-americanos.
Lula disse que o senador comemorou e agradeceu ao presidente Donald Trump pela taxação de 50% imposta ao Brasil no ano passado e que, agora, foi à televisão negando qualquer relação com a medida anunciada pelo governo dos Estados Unidos na última madrugada.
“Esse filho do [ex-presidente Jair] Bolsonaro consegue ser pior que ele, vilões da pátria, [...] são traidores. [...] Todo covarde é assim, fala a m* que fala e depois não tem coragem de assumir o que fala e fica tentando mentir”, disparou durante um discurso em um evento do governo na cidade de Catalão, em Goiás (veja trecho na íntegra):
Ainda durante o discurso, Lula atacou o secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, chamando-o de "anti-América Latina", "inimigo mortal de Cuba" e que "não gosta do Brasil". Ele se reuniu com Flávio Bolsonaro na semana passada, após a visita do senador a Trump.
Para Lula, Flávio Bolsonaro se reuniu com o secretário para articular a taxação mesmo em meio às negociações entre os Estados Unidos e o Brasil decorrentes da conversa de quatro horas que o petista teve com Trump no mês passado. Na ocasião, ele entregou ao seu homólogo norte-americano quatro documentos, sendo que dois deles eram relativos ao comércio entre os dois países.
“[Depois do sucesso da minha visita ao Trump], o bolsonarismo ficou muito p* da vida. A família [filhos de Bolsonaro] foi lá nessa semana (semana passada) e tirou uma fotografia com Trump, uma fotografia de campanha. Depois encontraram com Rubio. E ontem tive a notícia da taxação de 25% enquanto estávamos em negociação”, afirmou.
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Nos documentos apresentados a Trump, disse Lula, constavam informações de que os Estados Unidos operam com vantagem sobre os produtos brasileiros exportados para lá, com um superávit de US$ 415 bilhões nos últimos 15 anos, e que muitos produtos importados pelo Brasil não são tributados. Ele chamou de “mentira” que haja uma desvantagem para o país norte-americano na balança comercial entre os dois países.
“Ao invés de eu ficar nervoso e fazendo bravata, como eu não tenho navio pra fazer as guerras que o Trump gosta de fazer, não tenho bomba atômica, o poderio militar, a minha guerra é a da verdade contra a mentira, é a guerra da narrativa”, disparou Lula.
Ataques com eleição de fundo
Pouco depois, Lula emendou afirmando que o Brasil "está lidando com a pior espécie de ser humano que esse país já produziu", e que "nunca esse país teve sordidez política que a gente tem com essa família metralha que assumiu o governo de 2018 a 2022".
O petista ainda acusou Flávio Bolsonaro de "pedir arrego" a Trump para "dar uma porrada no Lula, taxa ele porque ele vai ganhar as eleições".
"Imbecil, ele não sabe que não vai prejudicar ao Lula. Ele vai prejudicar é o povo brasileiro, os empresários e o agronegócio nosso", completou.
Lula ainda afirmou que "os filhos do Bolsonaro encontraram um jeito de ficar rico" ao supostamente se relacionarem com o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do liquidado Banco Master. No mês passado, áudios vazados à imprensa revelaram um pedido de dinheiro do senador ao empresário para financiar um filme sobre a trajetória política do ex-presidente.
Posteriormente, Flávio Bolsonaro ainda admitiu que visitou Vorcaro após a saída da prisão na primeira fase da Operação Compliance Zero, deflagrada pela Polícia Federal em novembro do ano passado. Ele justificou afirmando que se reuniu com o banqueiro para encerrar o contrato de financiamento do filme.








