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Sanções dos EUA

Lula manda recado a Trump e diz que o Brasil “não se entrega” às vésperas de nova tarifa

Lula
Governo dos EUA pode aplicar uma nova tarifa de 12,5% aos produtos brasileiros exportados para lá ainda nesta semana. (Foto: reprodução/Youtube Canal Gov)

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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta terça-feira (21) que o Brasil “não se entrega” às vésperas entrada em vigor do tarifaço de 25% anunciada pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros, em meio ao aumento das tensões comerciais entre os dois países.

A nova cobrança entra nesta quarta-feira (22) e pode se somar a mais uma adicional de 12,5% com base na chamada “Seção 301”, prevista para ser anunciada na sexta (24), que investiga supostas práticas relacionadas ao trabalho forçado. O governo brasileiro contesta os fundamentos da medida e afirma que a investigação utiliza informações defasadas para justificar a decisão.

“Este país foi criado e construído por brasileiros. Aqui ninguém diz o que vamos fazer. Nada é mais sagrado do que a defesa da soberania nacional. Aqui nós erramos por nós. Acertamos por nós. [...] O Brasil não se entrega”, afirmou Lula em uma rede social.

A avaliação do governo é de que as novas tarifas representam uma retaliação ao governo brasileiro por não atender às pressões da administração de Donald Trump em relação ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

Os impactos das novas barreiras comerciais tendem a atingir principalmente os estados de São Paulo e Santa Catarina, que concentram a maior parcela das exportações afetadas. Segundo estimativas apresentadas pelo governo:

  • São Paulo responde por cerca de US$ 3 bilhões dos US$ 7,2 bilhões em produtos atingidos pelas tarifas;
  • Santa Catarina terá aproximadamente 68% de suas vendas aos Estados Unidos impactadas;
  • Juntos, os dois estados representam 52% das exportações brasileiras que não receberam isenção das novas tarifas.

Apesar do endurecimento das medidas, o governo brasileiro pretende manter abertas as negociações com Washington para ampliar a lista de produtos isentos. A estratégia também inclui a apresentação de argumentos técnicos e comerciais na tentativa de reverter ou reduzir os efeitos das tarifas, mesmo diante de um cenário político considerado desfavorável para avanços imediatos.

O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, afirmou que a posição brasileira não mudou e criticou as exigências feitas pelos Estados Unidos durante as negociações.

“O que incomoda o governo dos Estados Unidos é o fato de o Brasil não ter se curvado às pretensões desmedidas e às demandas irrazoáveis apresentadas durante o curso das negociações. [...] Em outras palavras, exigiam uma capitulação”, declarou.

Segundo o chanceler, o governo brasileiro intensificou o diálogo diplomático antes e depois da adoção das medidas comerciais. Mauro Vieira informou que foram realizadas mais de 30 reuniões presenciais, virtuais e por telefone com autoridades norte-americanas, incluindo 11 encontros diretos com o secretário de Estado, Marco Rubio, e com o representante de Comércio americano, Jamieson Greer, além de conversas entre os presidentes Lula e Donald Trump.

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