
Ouça este conteúdo
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta terça-feira (21) que o Brasil “não se entrega” às vésperas entrada em vigor do tarifaço de 25% anunciada pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros, em meio ao aumento das tensões comerciais entre os dois países.
A nova cobrança entra nesta quarta-feira (22) e pode se somar a mais uma adicional de 12,5% com base na chamada “Seção 301”, prevista para ser anunciada na sexta (24), que investiga supostas práticas relacionadas ao trabalho forçado. O governo brasileiro contesta os fundamentos da medida e afirma que a investigação utiliza informações defasadas para justificar a decisão.
“Este país foi criado e construído por brasileiros. Aqui ninguém diz o que vamos fazer. Nada é mais sagrado do que a defesa da soberania nacional. Aqui nós erramos por nós. Acertamos por nós. [...] O Brasil não se entrega”, afirmou Lula em uma rede social.
A avaliação do governo é de que as novas tarifas representam uma retaliação ao governo brasileiro por não atender às pressões da administração de Donald Trump em relação ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
Os impactos das novas barreiras comerciais tendem a atingir principalmente os estados de São Paulo e Santa Catarina, que concentram a maior parcela das exportações afetadas. Segundo estimativas apresentadas pelo governo:
- São Paulo responde por cerca de US$ 3 bilhões dos US$ 7,2 bilhões em produtos atingidos pelas tarifas;
- Santa Catarina terá aproximadamente 68% de suas vendas aos Estados Unidos impactadas;
- Juntos, os dois estados representam 52% das exportações brasileiras que não receberam isenção das novas tarifas.
VEJA TAMBÉM:
Apesar do endurecimento das medidas, o governo brasileiro pretende manter abertas as negociações com Washington para ampliar a lista de produtos isentos. A estratégia também inclui a apresentação de argumentos técnicos e comerciais na tentativa de reverter ou reduzir os efeitos das tarifas, mesmo diante de um cenário político considerado desfavorável para avanços imediatos.
O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, afirmou que a posição brasileira não mudou e criticou as exigências feitas pelos Estados Unidos durante as negociações.
“O que incomoda o governo dos Estados Unidos é o fato de o Brasil não ter se curvado às pretensões desmedidas e às demandas irrazoáveis apresentadas durante o curso das negociações. [...] Em outras palavras, exigiam uma capitulação”, declarou.
Segundo o chanceler, o governo brasileiro intensificou o diálogo diplomático antes e depois da adoção das medidas comerciais. Mauro Vieira informou que foram realizadas mais de 30 reuniões presenciais, virtuais e por telefone com autoridades norte-americanas, incluindo 11 encontros diretos com o secretário de Estado, Marco Rubio, e com o representante de Comércio americano, Jamieson Greer, além de conversas entre os presidentes Lula e Donald Trump.








