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Manifestantes lotam a Avenida Paulista, em São Paulo.
Manifestantes lotam a Avenida Paulista, em São Paulo.| Foto: EFE/Fernando Bizerra

O presidente Jair Bolsonaro discursou a apoiadores na tarde desta terça-feira, feriado Sete de Setembro, na massiva manifestação que ocorreu na Avenida Paulista, em São Paulo. Diferentemente do que fez pela manhã em Brasília, Bolsonaro criticou nominalmente o ministro do STF, Alexandre de Moraes, e dirigiu críticas também à Corte e ao sistema eleitoral. Além da capital paulista, foram registrados intensos protestos no Rio de janeiro, Brasília e outras capitais.

Aos manifestantes, Bolsonaro afirmou que não vai "mais admitir que pessoas como Alexandre de Moraes continuem a açoitar a nossa democracia e desrespeitar a nossa Constituição". "Dizer a esse ministro que ele tem tempo ainda para se redimir. Tem tempo ainda de arquivar seus inquéritos. Sai Alexandre de Moraes, deixa de ser canalha, deixa de oprimir o povo brasileiro", completou. Ainda sobre Moraes, o presidente afirmou que não cumprirá decisões tomadas pelo ministro e cobrou que o que chamou de "presos políticos" sejam colocados em liberdade, em referência a apoiadores que foram alvos de mandados recentes no chamado "inquérito dos atos antidemocráticos".

Jair Bolsonaro mais uma vez cobrou reformas no sistema eleitoral brasileiro e classificou os moldes atuais do pleito como "uma farsa". "Não podemos admitir um sistema eleitoral que não oferece qualquer segurança por ocasião das eleições [...]. Nós queremos umas eleições limpas, democráticas, com voto auditável e contagem pública dos votos. Não posso participar de uma farsa como essa, patrocinada ainda pelo presidente do Tribunal Superior Eleitoral", emendou.

Ao final de sua fala, Bolsonaro disse "àqueles que querem me tornar inelegível em Brasília, só Deus me tira de lá" e que nunca será preso.

Jair Bolsonaro discursou por cerca de 20 minutos em cima de um caminhão de som e deixou a Avenida Paulista poucos minutos depois. No local, manifestantes favoráveis ao presidente lotaram as duas faixas da via. A região foi bloqueada nos dois sentidos desde 9h.

Antes de se se unir à manifestação, o chefe do Executivo fez um sobrevoo ao chegar na capital paulista e iria à avenida acompanhado por autoridades como os ministros Onyx Lorenzoni (Trabalho e Previdência), Tarcísio Freitas (Infraestrutura), Milton Ribeiro (Ministério da Educação), Carlos Alberto França (Relações Exteriores), além de Luiz Eduardo Ramos (Secretaria Geral), Bruno Bianco (Advocacia-Geral da União), general Augusto Heleno (Gabinete de Segurança Institucional) e o deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP).

Primeiro discurso do dia

A fala atendeu expectativas de reforço ao discurso feito em Brasília pela manhã. Na ocasião, Bolsonaro voltou a falar em "ultimato a todos da Praça dos Três Poderes". "Não mais aceitaremos qualquer medida, qualquer ação ou qualquer sentença que venha de fora das quatro linhas da Constituição", disse.

Os protestos contra a gestão do presidente em São Paulo, por outro lado, ocorreram com baixa participação no Vale do Anhangabaú, a quatro quilômetros de onde estavam os apoiadores de Bolsonaro. Um outro grupo de correligionários do presidente realizou uma carreata na Ponte Estaiada, Zona Sul de São Paulo, na manhã de hoje.

A capital paulista contou com um reforço no esquema de segurança e, até o momento, as manifestações foram pacíficas. A estação de metrô Trianon-Masp foi fechada.

Protestos pelo país

Ao longo da manhã, mobilizações de apoio ao presidente ocorreram nas principais capitais brasileiras. Não houve registro de conflitos. A manhã do feriado também teve registro de protestos contra o governo, mas em número menor.

As maiores manifestações ocorreram em São Paulo, Brasília e Rio de Janeiro. Mas também foram registradas em outras capitais, como Salvador, Belém, Curitiba e Belo Horizonte.

Um dos primeiros locais tomados pelas manifestações foi a Avenida Atlântica, no Rio de Janeiro, por volta das 9h desta terça-feira. As três pistas da avenida foram ocupadas.

Em Brasília, milhares ocuparam a Esplanada dos Ministérios, local onde o presidente discursou a apoiadores. O protesto na capital federal foi marcado pela definição do STF como principal alvo dos manifestantes. Antes objetos principais das críticas, agora o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o PT e as esquerdas foram pouco citados. Deputados e senadores de outros partidos foram, em sua maioria, ignorados. A Praça dos Três Poderes foi interditada por gradil e linha de policiais.

Os mineiros pró-Bolsonaro saíram em carreata da Avenida Antônio Abrahão Caram, na Pampulha, e seguiram em direção à Praça da Liberdade, localizada na região Centro-Sul de Belo Horizonte. A manifestação teve início às 9h. Na praça, uma estrutura foi montada com bonecos infláveis do presidente, além das faixas e cartazes, em inglês e português, que também estão presentes nas demais capitais.

Na capital paranaense, a manifestação foi liderada por movimentos ligados ao conservadorismo, à direita, a associações militares e a organizações religiosas. A manifestação ocorreu no Centro Cívico e tomou as frentes do Palácio Iguaçu (sede do governo local), Assembleia Legislativa, Tribunal de Justiça, Tribunal do Júri e da Prefeitura de Curitiba. Entre os discursos e as faixas empunhadas pelos manifestantes, pautas difusas (como o voto impresso e a intervenção militar) e outras comuns a praticamente todos os manifestantes: a defesa do presidente Jair Bolsonaro e a crítica ao Supremo Tribunal Federal - muitas vezes personificada no ministro Alexandre de Moraes. A cidade também registrou manifestação contrária ao presidente.

Apoiadores do presidente Jair Bolsonaro em manifestação no Centro Cívico, em Curitiba. | Foto: Roger Pereira/Gazeta do Povo
Apoiadores do presidente Jair Bolsonaro em manifestação no Centro Cívico, em Curitiba. | Foto: Roger Pereira/Gazeta do Povo

Em João Pessoa (PA), carreatas pró-Bolsonaro estavam previstas para acontecerem no período da tarde. Os manifestantes devem se concentrar na Praça da Independência e seguir até o Busto de Tamandaré. Está programado ainda um “bicicletaço”, com concentração no Largo das Gameleiras, em Tambaú. Pela manhã, um grupo de manifestantes contrários ao governo federal se concentrou na Praça das Muriçocas, no bairro de Miramar.

Em Aracaju (SE), uma carreata a favor do governo foi conduzida no início da tarde deste feriado da Independência a partir da região dos Arcos da Orla de Atalaia. Os carros seguiram, então, para o Calçadão da Praia Formosa, no bairro Treze de Julho. Manifestantes contrários ao governo se concentraram na porta da Paróquia São José e Santa Teresa de Calcutá, no bairro Santa Maria.

Mobilização passa pela Terceira Ponte, em Vitória (ES) | Reprodução/TV Gazeta
Mobilização passa pela Terceira Ponte, em Vitória (ES) | Reprodução/TV Gazeta

No Amazonas, quatro pontos de Manaus têm manifestações neste feriado da Independência. Pela manhã, uma carreata promovida por caminhoneiros em apoio ao governo federal seguiu pelas principais vias da capital do estado do Amazonas. À tarde, manifestações pró-Bolsonaro são realizadas na região da Ponta Negra e na região central da cidade, com concentração na Praça do Congresso. A partir do meio da tarde, está prevista uma passeata até a Praça do Congresso. Houve ainda uma “bicicleata” de manifestantes contrários ao governo.

Manifestações a favor do governo federal ocorreram também a tarde em Vitória (ES). Os apoiadores se concentraram na Praça do Papa, na região de Enseada do Suá. Perto das 16h, caminhoneiros se juntaram aos manifestantes e dois trechos tiveram de ser interditados para a passagem dos manifestantes.

Em Palmas (TO),apoiadores do governo federal planejavam carreata, motociata e cavalgada para a tarde deste feriado da Independência. O evento foi organizado via redes sociais, e envolve grupos empresariais, do agronegócio, além de movimentos conservadores e de direita. Nos carros e motos, os manifestantes colocaram bandeiras do Brasil, críticas ao STF e o slogan da campanha eleitoral do presidente Bolsonaro em 2018.

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