Homem aparece em imagens vandalizando relógio histórico no Palácio do Planalto em 8 de janeiro de 2023| Foto: Reprodução/segurança Palácio do Planalto
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O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), revogou uma decisão de um juiz de primeira instancia de Minas Gerais que havia colocado em liberdade Antônio Cláudio Alves Ferreira – que foi condenado a uma pena de 17 anos, sendo 15 de reclusão, por destruir um relógio do Palácio do Planalto durante os atos do 8 de janeiro de 2023. Na decisão, Moraes afirmou que juiz não tinha competência para deliberar sobre o regime prisional dos réus cujos processos são conduzidos pelo STF.

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Ferreira foi solto por decisão do juiz Lourenço Migliorini Fonseca Ribeiro, da Vara de Execuções Penais de Uberlândia (MG). Condenado pelo STF a 17 anos de prisão em regime fechado, o homem foi libertado após 2 anos e 4 meses de detenção.

Segundo a decisão judicial que concedeu ao réu progressão para o regime semiaberto, ele cumpriu a fração necessária para receber o benefício, não cometeu nenhuma falta grave e tem "boa conduta carcerária". Além disso, o homem foi liberado sem o uso de tornozeleira eletrônica, pois o juiz de primeira instância alegou falta do equipamento em Minas Gerais.

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Com a decisão do juiz estadual, Antônio Alves Ferreira deixou na última terça-feira (17) o Presídio Professor Jacy de Assis, em Uberlândia. Agora, além de revogar a decisão, Alexandre de Moraes determinou a abertura de um inquérito para apurar a conduta do juiz Lourenço Migliorini Fonseca Ribeiro.

Em nota, o Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG) informou que a Corregedoria-Geral "instaurou procedimento visando à apuração dos fatos". Apesar de não citar diretamente o magistrado responsável por expedir o mandado de soltura.

"Na oportunidade, TJMG reafirma o seu compromisso com a legalidade, os princípios do Estado Democrático de Direito e o irrestrito respeito às ordens judiciais emanadas dos tribunais superiores", completa o informe.  

Condenado quebrou relógio histórico no Palácio do Planalto

Antônio Alves Ferreira foi flagrado pelo circuito de câmeras quebrando o relógio histórico de Balthazar Martinot, presente da Corte Francesa a Dom João VI, durante a invasão ao Palácio do Planalto no 8 de janeiro de 2023. Ele chegou a ser preso duas semanas após os atos de vandalismo na Praça dos Três Poderes em Brasília.

O relógio trazido por Dom João VI ao Brasil em 1808 foi dado de presente pelo rei francês Luís XIV. A peça rara foi levada para restauração na Suíça no começo deste ano, e é feito de casco de tartaruga e um tipo de bronze que não é mais fabricado.

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O autor da obra, o relojoeiro Balthazar Martinot, fabricou uma segunda peça semelhante que está exposta no Palácio de Versailles, na França, mas possui a metade do tamanho do relógio vandalizado no Palácio do Planalto.