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A seccional da Ordem dos Advogados do Brasil do Distrito Federal (OAB-DF) pedirá o impeachment dos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes e Dias Toffoli, por indícios de crime de responsabilidade no envolvimento com o caso Master. A decisão foi tomada em uma sessão extraordinária do conselho pleno na madrugada desta quarta-feira (9).
Os advogados também aprovaram um pedido de investigação dos mesmos ministros no STF e querem que o presidente da Corte, Edson Fachin, assuma a relatoria de todos os casos envolvendo pessoas sem foro privilegiado e que, posteriormente, envie à primeira instância.
Um dia antes, o presidente da seccional, Paulo Maurício Siqueira, decidiu abrir um processo disciplinar contra o escritório Barci de Moraes, da advogada Viviane Barci, esposa de Moraes. Siqueira afirma que "a advocacia não é meio para cometimento de crimes". Em nota, o escritório lamentou "que questões já analisadas e arquivadas pela PGR sejam utilizadas em contexto eleitoral".
O novo capítulo da crise no Supremo começou em 1º de setembro de 2026, quando o ministro André Mendonça levantou o sigilo de um relatório que detalha relações entre o banqueiro Daniel Vorcaro e a família do ministro Alexandre de Moraes, incluindo reuniões, contratos e mensagens. Um dos contratos aparece com um registro de alteração feito pelo próprio ministro.
Para os advogados do DF, Mendonça agiu corretamente ao tornar os autos públicos. O conselho defende que todas as investigações envolvendo os membros da Corte tenham seus sigilos levantados, "ressalvados os procedimentos de natureza cautelar sigilosos".
A Gazeta do Povo entrou em contato com os gabinetes de Moraes e Toffoli. O espaço segue aberto para manifestação.
Seccional defende fim do inquérito das fake news após sinalização de Fachin
Na nova reunião, foi aprovada a renovação de um pedido reiterado da OAB em diversos estados: o fim do inquérito das fake news, já em trâmite há sete anos.
A defesa ocorre logo após Fachin, ao lado do presidente Lula (PT), defender o fim do inquérito. O magistrado já havia retirado do procedimento a decisão de Moraes de apurar suposta atuação irregular de Mendonça nas operações Compliance Zero (caso Master) e Sem Desconto (fraudes no INSS).
"Os acontecimentos recentes demonstram o acerto e a urgência de três metas da nossa gestão, a adoção de um código de ética, o fim do inquérito das fake news e a modernização do sistema de Justiça", declarou.
Protagonista da nova etapa da crise ao confrontar uma decisão de Mendonça e reintegrar o diretor-geral da Polícia Federal (PF), Andrei Rodrigues, o ministro Flávio Dino reagiu à fala com um questionamento:
"É possível a um julgador, qualquer que seja ele, “prometer” o final de um inquérito, como se fosse um candidato ou para receber aplausos ?"
VEJA TAMBÉM:
Veja a linha do tempo do novo capítulo da crise no STF
- 1º de setembro de 2026: Mendonça retira o sigilo de uma petição e expõe um relatório da PF com detalhes sobre a relação entre Daniel Vorcaro e Alexandre de Moraes;
- 1º de setembro de 2026: Moraes determina que PF envie relatórios de inteligência que citam ministros do STF;
- 1º de setembro de 2026: procurador-geral da República, Paulo Gonet, diz a Mendonça que a decisão é nula por invadir competência do plenário.
- 2 de setembro de 2026: o presidente do STF, Edson Fachin, divulga uma nota prometendo providências;
- 3 de setembro de 2026: Moraes divulga decisão no inquérito das fake news com relatório crítico a Mendonça, aponta abusos e envia caso à Presidência;
- 3 de setembro de 2026: Fachin abre prazo para manifestações de Mendonça, Moraes, PF e do procurador-geral da República, Paulo Gonet;
- 4 de setembro de 2026: Fachin complementa decisão após ofensiva de Moraes, retirando o episódio do inquérito das fake news e abrindo prazo em paralelo;
- 4 de setembro de 2026: Ao lado de Lula, Fachin defende o fim do inquérito das fake news;
- 5 de setembro de 2026: Gilmar Mendes apresenta proposta de emenda ao Regimento Interno para proibir a atuação de delegados, policiais e militares em gabinetes, exceto para segurança dos ministros;
- 7 de setembro de 2026: Flávio Dino questiona se um julgador pode prometer fim de inquéritos "como se fosse um candidato ou para receber aplausos".
- 8 de setembro de 2026: 13 ex-ministros enviam carta a Edson Fachin defendendo julgamento público da controvérsia;
- 8 de setembro de 2026, 8h30: Mendonça afasta Andrei Rodrigues e Leandro Almada e marca sessão-relâmpago na Segunda Turma;
- 8 de setembro de 2026, 09h59: Termina o prazo para que os advogados apresentem suas sustentações orais;
- 8 de setembro de 2026, 10h00: inicia a sessão virtual e Gilmar Mendes pede vista;
- 8 de setembro de 2026, 10h04: Fux antecipa voto, acompanhando Mendonça;
- 8 de setembro de 2026, 10h06: Nunes Marques antecipa voto, acompanhando Mendonça e formando maioria;
- 8 de setembro de 2026: Fux cancela sessão da Segunda Turma;
- 8 de setembro de 2026: Gilmar Mendes justifica pedido de vista alegando incompetência da Segunda Turma, pouco tempo para análise dos autos e suposta vedação a esse tipo de pedido por partidos políticos.
- 9 de setembro de 2026: Dino reverte decisão de Mendonça e reintegra Andrei Rodrigues;





