O anúncio da deputada federal Carla Zambelli (PL-SP) de deixar o Brasil e pedir a licença do mandato, nesta terça-feira (3), provocou uma onda de reações no Congresso Nacional, com manifestações intensas tanto da direita quanto da esquerda. A iniciativa ocorre após ela ser condenada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) a 10 anos e 8 meses de prisão por invasão aos sistemas do Conselho Nacional de Justiça (CNJ). À Gazeta do Povo, o advogado Daniel Bialski anunciou que deixou a defesa de Carla Zambelli.
Aliados de Zambelli classificaram a decisão da deputada como um “ato de sobrevivência” frente ao que chamam de “ditadura da toga”. A deputada Júlia Zanatta (PL-SC) declarou que Zambelli é “mais um alvo carimbado da ditadura da toga, que persegue opositores do governo Lula e políticos conservadores”. Para ela, a saída do país é reflexo de um “STF político e parcial”.
Gustavo Gayer (PL-GO) prestou solidariedade à colega de bancada, chamando Zambelli de “guerreira” e afirmando que ela foi “obrigada a fugir dessa ditadura que se tornou o Brasil”. Segundo ele, a deputada é “a mulher mais votada nas últimas eleições” e estaria sendo punida não por crimes, mas por suas posições ideológicas.
O deputado Sóstenes Cavalcante (PL-RJ) também se manifestou: “Mais uma vez, vemos o Judiciário ultrapassar os limites constitucionais para perseguir parlamentares conservadores”, disse, ao afirmar que Zambelli foi “forçada a deixar o país — não por crime, mas por opinião”.
Já Carlos Jordy (PL-RJ) classificou o anúncio como um “exílio” e afirmou que Zambelli agora se instalará na Europa “para continuar denunciando as atrocidades do consórcio”.
Esquerda critica “fuga” e cobra responsabilização
Do outro lado do espectro político, parlamentares da esquerda reagiram duramente, acusando a deputada de fugir da Justiça. O senador Humberto Costa (PT-PE) afirmou que Zambelli, assim como Eduardo Bolsonaro, que está nos Estados Unidos, “foge da justiça em um regime democrático”.
Para o deputado André Janones (Avante-MG), trata-se de uma “fugitiva”: “Essa BANDIDA tem que pagar pelos crimes que cometeu”, declarou. Em tom provocador, ele ainda ironizou a escolha da Itália como destino da parlamentar.
A deputada Sâmia Bomfim (PSOL-SP) foi categórica ao chamar Zambelli de “foragida” e cobrou não apenas sua extradição, como também a prisão de Jair Bolsonaro. “Tem que ser trazida de volta não só para responder à condenação já estabelecida, mas por todos os crimes que cometeu”, escreveu.
Lindbergh Farias (PT-SP) foi além e pediu que a Justiça brasileira acione a Interpol. “Essa turma é um leão pra atacar a democracia e covarde na hora de responder por seus crimes”, afirmou. O deputado também alertou para o risco de fuga de Bolsonaro e defendeu medidas como o confisco de passaportes e pedidos de prisão preventiva.
Pedido de licença de Zambelli
Carla Zambelli comunicou formalmente à Câmara seu pedido de licença do mandato, mas ainda não há definição sobre o deferimento. Ela declarou que pretende continuar atuando politicamente fora do país e promete denunciar o que classifica como “abuso de poder do Judiciário brasileiro”.
Mais cedo, a deputada afirmou que deixou o país para “resistir” e buscar meios de denunciar o que chama de “amarras” que o Brasil estaria sofrendo por decisões judiciais, que ela classifica como “ditadura, falta de liberdade e censura”. Ela prometeu denunciar isso a "todas as Cortes" de todos os países europeus, citando particularmente Portugal, Espanha, Itália e França.
A decisão de Zambelli reacende o debate sobre os limites da atuação do Supremo Tribunal Federal, os reflexos da polarização política no Brasil e os desdobramentos jurídicos do 8 de janeiro, marco da suposta tentativa de golpe investigada por autoridades.
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