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Relatório final

PF conclui que Flávio Bolsonaro cometeu crime calúnia contra Lula

PF conclui que Flávio Bolsonaro cometeu crime calúnia contra Lula
PF afirmou que Flávio Bolsonaro cometeu crime de calúnia ao associar Lula ao tráfico internacional de drogas em publicação nas redes sociais. (Foto: Carlos Moura/Agência Senado)

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A Polícia Federal concluiu que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) cometeu crime de calúnia contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O relatório foi enviado nesta sexta-feira (26) ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), relator do caso.

Em janeiro, o senador afirmou em uma publicação no X que Lula seria delatado após a captura do ex-ditador venezuelano Nicolás Maduro por forças dos Estados Unidos. Flávio também associou o chefe do Executivo a crimes como, tráfico internacional de drogas e lavagem de dinheiro.

“Fica claro, portanto, que o Senador Flávio Bolsonaro, através de sua postagem, imputou falsamente ao Presidente Lula o cometimento dos crimes de tráfico internacional de drogas, tráfico internacional de arma e lavagem de dinheiro, crimes estes expressamente tipificados em nosso ordenamento jurídico”, diz um trecho do relatório.

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Na publicação, Flávio escreveu: “Lula será delatado. É o fim do Foro de São Paulo: tráfico internacional de drogas e armas, lavagem de dinheiro, suporte a terroristas e ditaduras, eleições fraudadas”.

Durante a instrução do inquérito, a defesa do senador solicitou a realização de dez diligências, que incluíam a oitiva de Maduro, de procuradores norte-americanos e de figuras da Operação Lava Jato, como o senador Sergio Moro (PL-PR) e o ex-procurador Deltan Dallagnol.

Os advogados alegaram que tais depoimentos seriam fundamentais para demonstrar a "atipicidade da conduta" e a ausência de dolo, buscando verificar se o cenário descrito na postagem era, na visão do senador, "razoável" ou "notório".

Contudo, todos os pedidos foram negados pela autoridade policial e, posteriormente, por Moraes. A PF justificou que as solicitações tinham caráter protelatório e buscavam aplicar a "exceção da verdade", o que é vedado pelo Código Penal quando a suposta vítima é o presidente da República.

O relatório final chegou a classificar as sucessivas petições da defesa como uma "manobra" para adiar a conclusão dos trabalhos.

PGR analisará relatório antes de decidir sobre denúncia contra Flávio

Moraes deve encaminhar o relatório da Polícia Federal à Procuradoria-Geral da República (PGR), que poderá denunciar Flávio, pedir o arquivamento do caso ou solicitar novas diligências.

O inquérito foi aberto a pedido da PF e com aval da PGR. Em parecer, procurador-geral da República, Paulo Gonet, afirmou que a medida “está amparada em uma publicação realizada em ambiente virtual público, acessível a milhares de usuários, em que se atribui falsamente, de maneira pública e vexatória, fatos delituosos ao Presidente da República”.

Após a abertura do inquérito, o senador expressou "profunda estranheza" com a decisão de Moraes. "A abertura deste inquérito configura uma tentativa clara de cercear a liberdade de expressão e o livre exercício do mandato parlamentar", disse Flávio em abril.

A Gazeta do Povo procurou a assessoria do senador Flávio Bolsonaro, mas ainda não obteve retorno. O espaço segue aberto para manifestações.

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