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Um relatório sigiloso da Polícia Federal (PF) traz a suspeita de que o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) seria o verdadeiro proprietário de R$ 35 milhões do fundo Arleen, que recebeu repasses de Daniel Vorcaro. A informação foi antecipada pela revista Piauí e mais tarde confirmada pela Gazeta do Povo com fontes familiarizadas com a investigação.
O documento "foi arquivado, com decisão de trânsito em julgado", de acordo com o gabinete de Toffoli, mas fontes ligadas ao caso acreditam que possa ser tornado público nos próximos dias. Seu teor indica que o fundo teria ido parar nas Ilhas Virgens Britânicas, um conhecido paraíso fiscal do Caribe.
Toffoli sempre negou ter amizade com o empresário, preso há meses pelo escândalo financeiro, ou a possibilidade de ter recebido qualquer depósito dele. O gabinete do ministro informou em fevereiro que o magistrado nunca teve qualquer fundo nas Ilhas Virgens Britânicas ou em qualquer outro lugar do Exterior.
"O ministro jamais manteve ou teve direta ou indiretamente recursos no exterior", diz a nota.
Origem em resort
O relatório indica que o fundo Arleen era sócio do Resort Tayayá, que pertenceu a Vorcaro e estava ligado a familiares de Toffoli. Meses depois, os ativos foram transferidos para o exterior e a suspeita é de que seriam destinados ao ministro.
“Foram identificados diversos elementos de informação que, analisados de forma conjunta, apontam no sentido de que o ministro José Antonio Dias Toffoli possa ter figurado como beneficiário final ou proprietário de fato do FIP Arleen, bem como de seus ativos”, diz o relatório da PF antecipado pela Piauí.
O ministro é sócio da empresa Maridt, que tinha participação no Tayayá. A empresa vendeu sua cota a familiares de Vorcaro. A defesa do empresário não respondeu ao contato da reportagem.
Ainda de acordo com a nota do gabinete de Toffoli, todos os dez ministros do STF tiveram ciência do conteúdo do relatório da PF e assinaram concordando que não seria motivo de suspeição.





