A Procuradoria-Geral da República (PGR) apresentou nessa segunda-feira (15) suas alegações finais na Ação Penal 2.696, que trata do chamado Núcleo 3 das investigações sobre a suposta tentativa de golpe de Estado e dos atos de 8 de Janeiro de 2023. O documento, assinado pelo procurador-geral Paulo Gonet, pede a condenação de nove réus por crimes graves contra a democracia, mas conclui pela ausência de provas contra um dos acusados.
Segundo a PGR, o Núcleo 3 reunia os militares e ex-militares responsáveis pela parte mais coercitiva e operacional que planejou a suposta tentativa de golpe de Estado. Esse grupo, descrito como o “braço mais severo e violento”, tinha como função pressionar a cúpula das Forças Armadas, elaborar planos de ruptura institucional e preparar ações de campo capazes de sustentar a “insurreição”, colocando em “risco direto a preservação da ordem democrática”, de acordo com o procurador.
Apesar de nos autos da Ação Penal 2.696, a PGR não utilizar a expressão “kids pretos” para classificar formalmente o grupo, o termo aparece em menções paralelas às investigações para se referir a oficiais e ex-oficiais de Forças Especiais do Exército, ligados a operações táticas de alto risco e que atuariam de forma mais violenta no suposto golpe. .
Segundo a manifestação, os nove listados devem ser condenados por organização criminosa armada, tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito e golpe de Estado, sendo eles os seguintes réus:
- Bernardo Romão Corrêa Netto
- Estevam Cals Theophilo Gaspar de Oliveira
- Fabrício Moreira de Bastos
- Hélio Ferreira Lima
- Márcio Nunes de Resende Júnior
- Rafael Martins de Oliveira
- Rodrigo Bezerra de Azevedo
- Sérgio Ricardo Cavaliere de Medeiros
- Wladimir Matos Soares
A PGR sustenta que esses militares e ex-militares participaram ativamente da “conspiração para criar um ambiente de instabilidade institucional”, pressionando a cúpula das Forças Armadas e planejando ações violentas para impedir a posse do presidente eleito, à época, Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Quem ficou de fora na lista da PGR
Já em relação a Ronald Ferreira de Araújo Júnior, a Procuradoria concluiu que não há provas suficientes para responsabilizá-lo pelos crimes de dano, deterioração do patrimônio tombado ou golpe de Estado. O órgão destacou que faltaram elementos que ligassem o réu diretamente aos atos de violência ou às tentativas concretas de ruptura institucional.
Para a PGR, o Núcleo 3 era composto pelos responsáveis por ações táticas e coercitivas da organização criminosa, descrita como “o braço mais severo e violento do grupo”. O parecer afirma que os acusados não só elaboraram estratégias golpistas, como também participaram de reuniões, planejaram neutralização de autoridades — em especial o ministro Alexandre de Moraes, relator do inquérito no Supremo Tribunal Federal (STF) — e chegaram a preparar operações de campo.
Próximos passos da ação penal
O Ministério Público ressalta ainda que a tentativa de golpe só não foi consumada “graças à resistência dos comandantes do Exército e da Aeronáutica”. Com a entrega das alegações finais, caberá agora à Primeira Turma do STF agendar datas e julgar os acusados. Segundo Alexandre de Moraes, a expectativa é que todos os núcleos do suposto golpe estejam devidamente julgados até o fim do ano.
Na semana passada foi o julgamento do Núcleo 1, chamado de “núcleo crucial”. Oito réus que integram o núcleo foram condenados, incluindo o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) que teve sentença de 27 anos e três meses de reclusão.
Captura de Maduro pelos EUA desgasta Lula e pode afetar eleições presidenciais no Brasil
Quem é quem no julgamento de Maduro e o que acontece após ele se declarar inocente
Queda de Maduro só deve afetar preços do petróleo no médio prazo
Região do palácio presidencial da Venezuela tem tiroteio após posse de vice de Maduro