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Para entender

Polícia Federal investiga Lulinha por suposta sociedade com dono de sítio

No Congresso, a relação de Lulinha com o "Careca do INSS" também foi alvo de questionamentos. (Foto: Carlos Moura / Agência Senado)

A Polícia Federal apura se Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, manteve uma sociedade informal e oculta com os empresários Fernando Bittar e Roberta Luchsinger. A investigação foca na obtenção de vantagens privadas e contratos no governo federal por meio de influência política. O caso ganha relevância por envolver Bittar, oficialmente dono do sítio de Atibaia frequentado pela família Lula.

Como funcionava a suposta sociedade informal entre os investigados?

Os investigadores identificaram indícios de que Lulinha, Fernando Bittar e Roberta Luchsinger atuavam juntos para obter benefícios privados usando o livre acesso que possuíam a nomes do alto escalão do governo federal. Essa prática, que a PF descreve como uma 'aparente sociedade informal', teria ultrapassado os limites éticos do lobby tradicional, que é a defesa legítima de interesses. No caso em questão, o objetivo seria facilitar contratos públicos e promover mudanças em leis para favorecer negócios específicos, sempre com a expectativa de receber retornos financeiros por essas articulações.

Qual é o papel do dono do sítio de Atibaia nesta nova investigação?

Fernando Bittar, que é oficialmente um dos proprietários do Sítio Santa Bárbara, em Atibaia, reaparece como figura central por sua ligação antiga e comercial com Lulinha. Na época da Lava Jato, o sítio foi alvo de polêmica porque, embora registrado em nome de Bittar e de Jonas Suassuna, era frequentado assiduamente pela família do ex-presidente Lula. Agora, a Polícia Federal analisa se essa relação pessoal privilegiada e o histórico de parcerias em negócios privados foram novamente utilizados para abrir portas dentro de órgãos públicos federais e viabilizar interesses de empresários.

O que as mensagens trocadas revelam sobre a atuação do grupo na Saúde?

A investigação detalha diálogos onde Roberta Luchsinger menciona a necessidade de colocar 'Fábio em cima do Berge', referindo-se a Lulinha e a Swedenberger Barbosa, então número dois do Ministério da Saúde. O objetivo central seria viabilizar um contrato para o fornecimento de medicamentos à base de canabidiol para o SUS, através de uma empresa ligada a Antonio Carlos Fagundes. Além disso, a PF identificou pagamentos de aproximadamente R$ 250 mil feitos por Roberta para custear despesas pessoais de Marco Aurélio Santana Ribeiro, o Marcola, então chefe de gabinete da Presidência.

Quais são os argumentos apresentados pelas defesas dos envolvidos?

A defesa de Lulinha nega qualquer prática de tráfico de influência, ressaltando que ele vive na Espanha e não possui vínculos com negócios no Palácio do Planalto. Os advogados também criticam a conduta de setores da PF, alegando motivações políticas. Já o ex-chefe de gabinete Marcola admite ter recebido valores de Roberta Luchsinger, mas sustenta que o dinheiro era referente a um empréstimo pessoal já quitado com juros. O ministro do STF, André Mendonça, inclusive, determinou uma apuração para verificar se houve vazamento ilegal de dados sigilosos por parte de funcionários públicos.

Conteúdo produzido a partir de informações apuradas pela equipe de repórteres da Gazeta do Povo. Para acessar a informação na íntegra e se aprofundar sobre o tema leia a reportagem abaixo.

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