Lincoln Gakiya investiga o PCC há mais de 20 anos e frustrou o plano de ataque a Sergio Moro| Foto: Roberto Navarro/ALSP
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O promotor Lincoln Gakiya, que há mais de 20 anos investiga o Primeiro Comando da Capital (PCC), afirmou que a declaração do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que chamou de “armação” a operação da Polícia Federal para desmantelar um plano para matá-lo e sequestrar o senador Sergio Moro (União-SP), é uma ofensa a ele e ao Ministério Público.

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“Falar que a polícia inventou essa operação, está ofendendo a mim e ao Ministério Público. Essa operação começou com o Ministério Público de São Paulo. Levamos no dia 30 de janeiro a informação ao Moro e à sua esposa. Prometi que em três meses íamos identificar essas pessoas e efetuar as prisões. Aí eu louvo o trabalho da Polícia Federal. O Moro é um crítico do ministro da Justiça e opositor do presidente, mas a PF é republicana. Em apenas 45 dias, ela concluiu seu trabalho”, disse Gakiya em entrevista ao jornal O Estado de S.Paulo.

A investigação que resultou na Operação Sequaz, que prendeu 9 integrantes do PCC que planejavam o ataque a Gakiya e a Moro, começou no início de fevereiro. Um ex-membro da facção procurou o MP paulista para pedir proteção, pois estava jurado de morte.

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Contou, então, que o mesmo chefe do PCC que iria matá-lo, Janeferson Aparecido Mariano Gomes,  também conhecido com Nefo, NF e Dodge, queria sequestrar Moro e sua família. O objetivo era usá-los como moeda de troca para resgatar da prisão o líder máximo da facção, Marcos Willians Herbas Camacho, o Marcola, preso na penitenciária federal de Brasília.

A investigação mostrou todo o preparo dos integrantes da facção, com gastos milionários, incluindo compra de veículos, aluguel de imóveis, viagens e monitoramento da família de Moro desde setembro do ano passado, durante a campanha eleitoral.

Na entrevista ao Estadão, Gakiya também criticou petistas que usaram a operação da PF para elogiar Lula, e o próprio Moro, por atribuir a somente a si a transferência de líderes do PCC para presídios federais, em 2019, um dos motivos para fosse alvejado.

“Eu não posso entender, qualquer que seja o presidente, seja Bolsonaro ou Lula, utilizarem, às vezes, a ‘minha’ polícia. A polícia é do Estado. Isso me deixa muito constrangido quando se tenta usar a polícia para fins políticos. Os governantes vão passar e as instituições vão permanecer. Sou crítico apenas quando esses políticos usam a remoção dos líderes do PCC. Essa remoção acabou com minha vida e com a da minha família. Fiquei com o ônus e os políticos ficaram com o bônus”, disse o promotor.