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Caso Master

Quem é o novo advogado de Vorcaro que coloca banqueiro mais próximo da delação

Daniel Vorcaro, banqueiro do liquidado Banco Master. (Foto: Reprodução/Youtube/TVLIDE)

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A troca de defesa do banqueiro Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master e preso há cerca de dez dias na Penitenciária Federal de Segurança Máxima em Brasília, colocou no centro do caso um dos criminalistas mais conhecidos do país. O advogado José Luís de Oliveira Lima, que já atuou em processos envolvendo figuras de peso da política brasileira, como o ex-ministro José Dirceu e o general Walter Braga Netto, foi escolhido para substituir Pierpaolo Bottini na condução da estratégia jurídica do empresário.

A mudança ocorreu na sexta-feira (13), mesmo dia em que a Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal decidiu, por maioria dos votos, manter a prisão preventiva do banqueiro. Ainda naquela noite Oliveira Lima teria feito uma visita ao cliente no presídio federal da capital federal para discutir os próximos passos do caso e avaliar as possibilidades jurídicas abertas após a decisão da Corte.

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Nos bastidores da investigação, a chegada do novo advogado é interpretada como um sinal claro de que a estratégia da defesa pode sofrer uma guinada que já estava no radar há semanas. Com larga experiência em negociações complexas e acordos de colaboração premiada, Oliveira Lima é visto por investigadores e integrantes do sistema de Justiça como um profissional habituado a conduzir tratativas delicadas com o Ministério Público e autoridades judiciais.

Essa avaliação alimenta a expectativa de que Vorcaro possa avançar para uma eventual delação premiada, hipótese que já vinha sendo discutida reservadamente por interlocutores próximos ao banqueiro. Conhecido no meio jurídico pelo apelido de “Juca”, José Luís de Oliveira Lima acumula mais de três décadas de atuação na advocacia criminal e se consolidou como um dos nomes mais influentes da área no Brasil.

Ao longo da carreira, ele representou clientes envolvidos em alguns dos processos políticos e judiciais mais marcantes das últimas décadas. Em 2012, esteve à frente da defesa do ex-ministro da Casa Civil, o petista José Dirceu no julgamento do escândalo do Mensalão, um dos casos de maior repercussão da história recente do Supremo Tribunal Federal.

Anos depois, voltou a ganhar projeção nacional ao assumir a defesa do general Walter Braga Netto, ex-ministro da Defesa e da Casa Civil do governo Jair Bolsonaro (PL), no julgamento relacionado à suposta tentativa de golpe de Estado. Braga Netto acabou condenado a 26 anos de prisão.

A lista de clientes de Oliveira Lima inclui ainda empresários, executivos e figuras públicas envolvidas em investigações complexas, muitas delas com forte impacto político e econômico, como a própria Lava Jato.

Sócio do escritório Oliveira Lima & Dall’Acqua Advogados, sediado em São Paulo, ele também construiu carreira institucional dentro da advocacia. Já presidiu a Comissão de Direitos e Prerrogativas da Ordem dos Advogados do Brasil em São Paulo, foi conselheiro da entidade, presidiu a Caixa de Assistência dos Advogados de São Paulo e integrou a diretoria da Associação dos Advogados de São Paulo. Atualmente, também participa do Instituto dos Advogados de São Paulo.

Em reconhecimento à sua influência no meio jurídico, Oliveira Lima chegou a figurar duas vezes entre os cem brasileiros mais influentes listados pela revista Época. Em círculos da advocacia criminal, seu nome é frequentemente citado entre os principais especialistas do país em direito penal econômico.

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A troca da defesa e os bastidores de tensão de Vorcado no presídio

A decisão de Vorcaro de trocar de advogado ocorreu em meio a um momento de forte tensão pessoal para o banqueiro. De acordo com relatos de pessoas próximas à defesa, Vorcaro teria protagonizado um episódio de descontrole dentro da unidade prisional após tomar conhecimento da manutenção de sua prisão pelo Supremo.

Vorcaro teria batido repetidamente contra as grades da cela enquanto comentava, de forma exaltada, aspectos do caso e bastidores de suas relações políticas e empresariais. Durante o episódio, ele também teria mencionado nomes de autoridades e figuras públicas com as quais teria mantido relacionamento financeiro ou institucional ao longo de sua trajetória no sistema bancário.

O episódio terminou com atendimento médico ao detento dentro do próprio presídio federal. Integrantes da defesa têm evitado comentar detalhes sobre o estado emocional do banqueiro, mas confirmam que o momento é considerado “extremamente delicado” e que a estratégia jurídica está sendo reavaliada.

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O novo advogado de Vorcaro e a estratégia jurídica em revisão

A substituição do advogado Pierpaolo Bottini por José Luís de Oliveira Lima também tem implicações técnicas relevantes para o processo.

Bottini é reconhecido por sua postura crítica em relação a acordos de colaboração premiada, especialmente quando não há garantias claras de benefícios jurídicos ao investigado. Já o advogado Oliveira Lima, que já atua para Vorcaro em outras ações, tem histórico de participação em negociações desse tipo e experiência em conduzir tratativas diretamente com procuradores e autoridades judiciais.

Além disso, a permanência de parte da antiga equipe poderia gerar potenciais conflitos de interesse caso uma eventual delação citasse clientes ou interlocutores que também tenham relação profissional com os defensores.

Nos bastidores da investigação conduzida pela Polícia Federal e acompanhada pela Procuradoria-Geral da República, a possibilidade de um acordo de colaboração de Vorcaro é considerada uma das hipóteses mais sensíveis do caso.

O banqueiro manteve, ao longo dos anos, relações com autoridades, políticos e empresários de diferentes espectros ideológicos, o que poderia ampliar o alcance potencial de qualquer informação que venha a ser revelada em uma eventual delação.

Interlocutores próximos a Vorcaro afirmam que a hipótese de colaboração passou a ser considerada com mais intensidade após o avanço das investigações e a prisão de pessoas ligadas ao seu círculo pessoal e empresarial.

A visita do advogado José Luís de Oliveira Lima ao presídio na noite de sexta-feira (13) teria sido justamente para avaliar, diretamente com Vorcaro, quais caminhos jurídicos serão seguidos a partir de agora. Por enquanto, não há confirmação oficial de que negociações formais estejam em andamento com a PGR.

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