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O presidente do PSL, deputado Luciano Bivar.
O presidente do PSL, deputado Luciano Bivar.| Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

A disputa dentro do PSL, o partido do presidente Jair Bolsonaro, ganhou um novo ingrediente nesta terça-feira (15) com as buscas da Polícia Federal contra o presidente da legenda e deputado federal, Luciano Bivar (PE). A operação ocorre horas antes de uma reunião da bancada federal do partido, agendada para aparar arestas após dias de conflitos internos.

O líder da legenda na Câmara, Delegado Waldir (GO), foi quem convocou a reunião. Waldir é um dos pivôs da crise que foi deflagrada desde a semana passada, após Bolsonaro pedir a um apoiador que esquecesse o PSL e também ter dito a ele que o presidente da sigla, o deputado Luciano Bivar (PE), está “queimado pra caramba”. O líder questionou uma carta divulgada semana passada pelos parlamentares que se intitulam mais “fiéis” a Bolsonaro e chegou a dizer que o grupo estaria atrás da “chave do cofre” do fundo partidário do PSL.

Waldir participou, na segunda, de uma entrevista coletiva com outros dois deputados do PSL sobre o projeto que determina a prisão dos condenados em segunda instância. O parlamentar se recusou a falar sobre a crise no partido; apenas comentou a reunião da terça e disse que o PSL é “98% governo”. Também presente à coletiva, o deputado Felipe Francischini (PSL-PR) pediu o “fim das picuinhas” no partido: “todos nós sempre apoiamos as pautas conservadoras. Amanhã [terça, 15] faremos uma reunião para tentar buscar um consenso”.

Francischini e Waldir estão do mesmo lado no racha que se formou no PSL. Eles compõem um grupo que se apresenta como “pragmático” - constituído por parlamentares com mais estrada na política, mais aproximação com Luciano Bivar e menos vinculação ideológica a propostas como as do filósofo Olavo de Carvalho. O principal antagonista da ala é o grupo “ideológico”, onde estão deputados que se identificam com as proposições de Bolsonaro e que pretende estar ao lado do presidente da República independentemente de filiações partidárias. Há ainda uma terceira ala, a formada pelos membros do PSL que não se identificam plenamente com nenhum dos dois grupos e que estão se mobilizando para o fim da disputa.

“Bivarzistas” sem medo de Bolsonaro

O grupo mais identificado com Luciano Bivar reúne também o deputado Júnior Bozzella (SP). O parlamentar tem subido o tom contra os adversários internos e falou ao jornal O Globo, nesta segunda, que o PSL planeja expulsar quatro deputados: os federais Bibo Nunes (RS), Carla Zambelli (SP), Alê Silva (MG) e o estadual Douglas Garcia (SP). Todos têm disparado críticas pesadas contra a direção do PSL.

O segmento estuda até mesmo pedir investigação sobre os gastos da CPAC, a conferência conservadora realizada no último fim de semana e comandada pelo deputado Eduardo Bolsonaro (SP), filho do presidente.

A ala costuma citar dois argumentos em defesa da gestão de Luciano Bivar no PSL. O primeiro é o da gratidão, já que o presidente do partido cedeu a legenda para a candidatura presidencial de Bolsonaro ainda no primeiro semestre de 2018, quando o então deputado buscava um grupo para concorrer ao planalto. O outro argumento é o de que como durante a campanha eleitoral o grupo de Bivar estava excluído do comando do partido - a presidência nacional do PSL à época ficou com Gustavo Bebianno, que depois se tornaria ministro - as possíveis irregularidades não poderiam ser atribuídas ao deputado por Pernambuco. Entre as controvérsias aí citadas estão o caso das candidaturas laranjas, em episódio que afeta o ministro do Turismo, Marcelo Alvaro Antonio, que comandava o PSL em Minas Gerais.

“Ideológicos” têm diferentes visões do PSL

O grupo dos parlamentares mais próximos a Bolsonaro tem como fator de unidade a defesa incondicional do presidente da República. O compromisso foi reforçado por meio da carta publicada semana passada.

Mas as similaridades não vão muito além disso. Na ala estão parlamentares que ainda acham possível uma reconciliação com o PSL e outros que querem o maior afastamento possível do partido. Entre os que ainda acreditam na paz estão Filipe Barros (PR) e Bia Kicis (DF) - eles divulgaram no fim de semana um vídeo em que dizem não querer sair do PSL, e sim “corrigir os rumos” do partido.

Já os que estão chutando a porta de saída não poupam palavras duras contra a direção do PSL. Na semana passada, a deputada Alê Silva disse que o PSL “só pensa em dinheiro”. E nesta segunda, Bibo Nunes falou à imprensa que ser expulso da legenda “seria uma honra”. O parlamentar já havia entrado em rota de colisão com o PSL em outras ocasiões, e foi convidado pelo presidente do Patriota, Adilson Barroso, para ingressar na legenda.

No total, o grupo mais bolsonarista tem composição bem superior ao do principal rival. Ao menos 24 dos 53 deputados do PSL estão na ala.

Alguns “conciliadores” querem paz jogando gasolina na fogueira

Além dos dois grupos mais declarados, há uma ala de parlamentares que advoga publicamente pelo fim da disputa sem que algum lado saia exatamente como vencedor ou perdedor. É o segmento dos “conciliadores” que, mais do que defender ou criticar um ponto de vista, são críticos da discussão e do racha vivido pelo PSL.

Expoentes como o líder do PSL no Senado, Major Olímpio (SP), e a líder do governo no Congresso, Joice Hasselmann (SP), integram este ponto de vista.

A dificuldade para o PSL está no fato de que algumas declarações contrárias à briga acabaram por acirrar ainda mais os ânimos. Hasselmann divulgou um vídeo no sábado (12) em que chamou a carta pró-Bolsonaro de “golpe de marketing muito mal feito” e ação de um “grupelho que usa a imagem do presidente”. Para a líder, o PSL e o governo precisam de mais pragmatismo nas negociações com o Congresso. Também na linha “pacificador-incendiário”, o deputado Nelson Barbudo (MT) foi outro que publicou vídeo criticando a carta e pedindo tranquilidade no PSL, mas não sem antes atacar os signatários do texto, em especial Luiz Philippe de Orleans e Bragança (SP), chamado por ele de “covarde”.

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