O jornalista Sérgio tavares entrevistou Jair Bolosnaro em seu canal do YouTube| Foto: Reprodução/YouTube
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Além do ato convocado pelo ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) que reuniu centenas de milhares de pessoas na Avenida Paulista, em São Paulo, o domingo (25) também foi marcado pela detenção do jornalista português, Sérgio Tavares, ao desembarcar no Aeroporto de Guarulhos.

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Tavares foi interrogado durante quatro horas e teve de responder perguntas sobre os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), vacina e ditadura do judiciário.

De acordo com a PF, o jornalista precisaria de um visto de trabalho para fazer a “cobertura fotográfica de um evento” no Brasil, já que Tavares havia informado ter vindo ao país para cobrir a manifestação do domingo.

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Segundo o Ministério das Relações Exteriores do Brasil, “cidadãos da União Europeia que viajem ao Brasil para exercer atividade jornalística estão isentos de visto para estadas de até 90 dias, desde que a atividade não seja remunerada por fonte brasileira”. 

Em seu site, Tavares se apresenta como “ativista, professor e ex-jornalista correspondente da Rádio Renascença em Timor Leste”.

No início deste mês de fevereiro, Tavares entrevistou o ex-presidente Jair Bolsonaro em seu canal no Youtube.

Na entrevista, o jornalista e Bolsonaro conversaram sobre a operação da Polícia Federal deflagrada contra o ex-presidente e aliados por suposto envolvimento nos atos do 8 de janeiro.

Na ocasião, Bolsonaro disse ser perseguido pelo judiciário e atribuiu ao ministro do STF, Alexandre de Moraes, o comando de uma “ditadura”.

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Além de Bolsonaro, Tavares já entrevistou outros políticos brasileiros sempre tratando de temas ligados à liberdade de expressão e perseguição política.

A vinda de Tavares para a cobertura do ato na Paulista, no domingo, não foi a primeira visita do jornalista ao Brasil para cobrir uma manifestação. Em 2022, Tavares esteve em Brasília e em São Paulo para cobrir as manifestações do dia 7 de Setembro.

A cobertura desse tipo de pauta tem sido uma constante no trabalho de Tavares, que já noticiou desde as contradições das medidas restritivas impostas em países durante a pandemia, até a revolta dos agricultores por conta do avanço da agenda ambientalista na Europa.

Tavares também costuma cobrir manifestações contra a ideologia de gênero e temas ligados à Organização Mundial de Saúde.

Recentemente, o jornalista esteve em Davos, na Suíça, para acompanhar as atividades do Fórum Econômico Mundial. Na ocasião, Tavares se referiu ao evento como “encontro anual de criminosos”.

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Neste domingo (25), depois de ser liberado pela PF, Tavares se dirigiu ao ato na Paulista e realizou sua cobertura. No local, ao conversar com a colunista da Gazeta do Povo, Cristina Graeml, Tavares disse que sua detenção no aeroporto “foi uma loucura”.

"Qual a justificativa de um cidadão europeu, português que veio aqui para mostrar a democracia ficar por quatro horas sendo questionado sobre Flávio Dino, sobre Alexandre de Moraes, sobre vacinas, sobre a ditadura do Judiciário?", questionou o jornalista.

Segundo Tavares, o episódio demonstra a preocupação das autoridades com que o mundo saiba "o que está a passar neste país". "E garanto que o mundo vai saber. Não vou dizer aqui, mas vou dizer quando chegar lá. Porque lá eu tenho liberdade de expressão," afirmou.

Infográficos Gazeta do Povo[Clique para ampliar]
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